Segunda, 02 Abril 2007
Amor, escárnio e maldizer: ontem como hoje
Em seis meses, o sexteto português faz do rock e do hip hop uma linguagem só, preparou um novo disco com os temas de sempre. Amor, Escárnio e Maldizer conta com a ajuda dos Gato Fedorento, de Simão Sabrosa e da Orquestra Sinfónica Checa. Seguem-se as explicações do vocalista e letrista Pacman e do seu irmão, o baixista Jay Jay.
Amor, Escárnio e Maldizer foi anunciado como um disco conceitual. Em que conceito assenta o álbum?
Pacman: A ideia surgiu ao verificarmos que aquilo que fazemos hoje nos Da Weasel remete muito para o que já se faz há centenas de anos: as canções de amor, amigo, escárnio e maldizer. Há coisas que se mantêm intemporais –o amor é algo de que se há de falar sempre, escárnio e maldizer também. Achámos giro fazer a ponte para os dias de hoje.
Onde ficaram, então, as canções de amigo?
P: As canções de amigo não fazem muito sentido hoje em dia, porque eram canções escritas por homens como se fossem mulheres a cantar, e eram canções de amor disfarçadas de amizade. Havia uma camuflagem que hoje não faz sentido.
Isso quer dizer que acreditam que hoje ninguém se disfarça. Mesmo com a utilização actual da internet?
P: Quando falava nas cantigas de amigo era por a mulher não ter a liberdade que tem hoje em dia. São coisas diferentes. Camuflagens há muitas, claro, muitas mesmo [risos]. É o que não falta. E é uma coisa que não me agrada muito. Acho que muitas pessoas se barricam e vivem vidas que não são as delas através da net e só conseguem ser alguém dentro da net porque não o conseguem na vida real. Isso é um bocado triste.
O maldizer também acaba por estar facilitado pela mesma via.
P: Sim, mas pode ser uma arma bastante importante. Se a informação estiver muito controlada nos média, seja pelo Governo, por lobbies, pelo que for, são canais que permitem pôr o dedo na ferida com mais facilidade.
Há um tema no disco, ‘Cowboys’, em que se fala de heróis à antiga. Hoje, pelo contrário,já não há um herói com barba por fazer…
P: É uma piada a essa e outras coisas – até à cena metrossexual que já começa a ser um bocado demais. Mas, por outro lado, há uma série de anti-heróis a surgir. Ao mesmo tempo que há esses heróis assépticos, há sempre outra corrente a perverter a coisa.
Este álbum foi gravado num período muito curto. Tiveram a pressão de ter de entrar em estúdio em determinada data?
Jay Jay: Sim, e chegou a ser preocupante. Quando nos disseram que em Março tínhamos de entregar um álbum começou imediatamente o stress. Embora tivéssemos cerca de seis meses, foi uma corrida contra o tempo. Tem-se a obrigação de compor e isso não é muito porreiro. O meu dia começava com o pensamento na composição e ia-me deitar a pensar no mesmo.
Deitava-me com um gravador porque a meio da noite podia surgir uma ideia e não estava numa de pegar na guitarra. Isto é bem revelador da pressão que colocámos em cima de nós próprios.
Dorme-se mal nessas alturas?
P: Não, com o tinto que se bebe. Acorda-se é mal [risos].
Gravaram três temas com a Orquestra Sinfónica Checa. Para quem começou no hip hop deve ser curioso, no mínimo, fazer algo que tem tão pouco a ver com a cultura de rua.
P: É curioso e foi um privilégio, muito recompensador.
J: E principalmente ver um tipo como o maestro Rui Massena aberto e ávido também de fazer isto connosco. O que é revelador de muita abertura. Despertou muita curiosidade e muita apreensão ao mesmo tempo.
E não receiam que o vosso público pense ‘estes tipos já estão velhos, a gravar com orquestra…’?
J: Não, porque, ao mesmo tempo, temos momentos no disco que puxam exactamente no sentido oposto. Não de uma forma premeditada, mas porque somos assim.
P: E mesmo o feedback dos mais putos ou de pessoas que não estão à partida tão viradas para este tipo de coisas, do que ouviram antes de o disco sair, foi extremamente positivo.
Como surgiu a participação dos Gato Fedorento?
P: Mais uma vez é a história do Amor, Escárnio e Maldizer. Se há jograis hoje em dia em Portugal, no sentido de ‘picar’ a política e a sociedade em geral, são os Gato Fedorento. São muito bons a fazer uma crítica irónica e sarcástica.
Na altura que fomos ao programa deles, já tendo este conceito para o disco, pensámos que eles poderiam fazer sentido. Quando vimos o tema ‘Niggaz’, achámos que o tema era a cara deles, passámos-lhes a letra e dissemos-lhes para fazer o que quisessem.
Mas havia da vossa parte um intuito de provocação? Porque por muito que a ideia de crítica ao estereótipo dos miúdos que ouvem hip hop já existisse no vosso tema, o lado de escárnio é muito acentuado pela participação deles.
P: Se estamos a pedir aos Gato Fedorento já se sabe que vai sair uma coisa passível de ser provocatória. Mas é uma crítica perfeitamente válida, não é gratuita porque é uma situação real. Há uns quantos putos que pensam que estão a entrar num ‘filme’ em vez de o ver apenas.
Revêem-se, imitam e entram num imaginário que não lhes pertence, que é o do 50 Cent, da cena gangsta norte-americana e que às vezes resvala para A Cidade de Deus quando a nossa realidade não tem nada a ver com isso. São putos dos 13 aos 17 anos, aquela idade em que são muito influenciáveis.
Isto é um ‘Pensa bem e vais ver que este não é o teu filme, podes vê-lo, como eu também vejo, e sacares dali o que quiseres. Mas não podes entrar nele: primeiro, porque não tens pedal para isso; segundo, porque não é a tua realidade’.
E porquê convidar o Simão Sabrosa, um futebolista?
P: É num tema que se chama ‘Bora Lá Fazer a P*** da Revolução’, muito irónico mesmo. É sobre um gajo que diz ‘vamos fazer uma revolução, está na hora de mudar as coisas’.
E depois vai a ver o calendário da semana e é complicado – à segunda sai tarde, à terça e à quinta tem terapia, à quarta-feira tem ‘cartada’ com a malta, à sexta tem de beber um copo por causa do stress todo da semana a trabalhar, no sábado leva o puto ao happy meal e resta o domingo para a revolução. Se o Benfica não jogar, está combinado. No final do tema, telefona o Simão a dizer «como é, querem bilhetes para domingo?».
Acreditam nalgum tipo de revolução?
P: Claro que sim, sempre. Isto é uma provocação a nós próprios. Mas o primeiro passo de qualquer revolução, e que faz realmente falta, é a revolução pessoal, que é de longe mais difícil. Se cada um fizer a sua revolução pessoal e tiver mais aberto e disposto, aí podemos partir para outros voos.
Neste disco, apelamos para uma coisa muito mais primária que querer salvar o mundo. Primeiro trata de ti, mete a cabeça em ordem, coisas que apontam para um nível mais pessoal, para depois ter cabedal para entrar noutras revoluções. Não vamos querer salvar o mundo sem sequer ter a casa arrumada. Nessa revolução acreditamos e passa pela música. Acho que nossa música cumpre a sua parte.
Há uma desilusão geracional por parte dos que lutaram pelo 25 de Abril. Sentem que a vossa geração também está a falhar um propósito de mudar as coisas?
P: Acho que as coisas antes do 25 de Abril eram muito mais claras, ou se estava de um lado ou se estava de outro. Agora é tudo muito mais difuso. É tudo muito confuso. O PS, será esquerda, centro ou direita? Há um capitalismo desenfreado e um consumismo incrível. E revejo-me um bocado nisso – quer queira quer não acabo por ser levado muitas vezes por isso. Vivemos numa sociedade do ‘compra isto, compra aquilo, faz esta dieta, sê bonito’.
A sociedade está a concentrar-se só em coisas muito superficiais. Não acho que seja um problema específico de Portugal pós-25 de Abril, mas algo global.
Tanto que não aceito essa desculpa do Salazar ter sido eleito como Grande Português como uma desilusão das pessoas com o 25 de Abril. Não é por aí. Não é sintomático nem representativo de coisa alguma. Muito menos da nova geração, que de certeza não votou.
Há um certo desinteresse nas coisas que acho mais importantes, nas coisas básicas: não pelo lado em que se está politicamente, mas sim pelo respeito pelos outros, pelos valores fundamentais. Mas se me derem a escolher Portugal ou Estados Unidos, não penso sequer duas vezes. Acho que aqui estamos muito mais ‘à frente’ e tmeos pessoas a fazer coisas muito mais interessantes e conscientes.
Ao chamarem para o disco o Simão Sabrosa e os Gato Fedorento, ídolos dos adolescentes, há um objectivo de cativar esse público?
J: Não, porque são os nossos ídolos também. É um privilégio poder partilhar um trabalho com pessoas que nós admiramos. Não tem nada a ver com marketing ou vendas. Estão lá porque fazem sentido.
Não é colado com cuspo. Se sentíssemos isso provavelmente não teriam entrado. Também conseguimos ser fãs. Quando o [pianista Bernardo] Sassetti respondeu a dizer que aceitava participar no disco eu estava a tremer. É impagável fazer um disco com pessoas tão interessantes.
Por Gonçalo Frota
in Sol
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Domingo, 18 Junho 2006
"Assusta-me pensar que possa ser um ídolo"
Pacman, vocalista e letrista dos Da Weasel, diz-se um homem de sorte e defende a liberalização das drogas leves. Filho de cabo-verdianos, considera que “o português tem bom fundo” mas acusa o País de racismo encapuzado. Homem de esquerda, diz que voltará à política sempre que Manuel Alegre lhe pedir. Do Mundial de Futebol acredita que é possível trazer o troféu.
Correio da manhã – Há uma música dos Da Weasel, ‘Essência’, que diz: “É tudo bom, soma e segue sem parar”. Tem sido tudo bom na vossa carreira?
Pacman – Quase tudo. No início as coisas não foram propriamente fáceis até porque tivemos de passar por aquele período de garagem como qualquer banda. Mas para além de sorte também tivemos pessoas que nos ajudaram muito.
– E depois?
– Depois tivemos a sorte de ter uma maqueta que foi parar à XFM e de assinar por uma multinacional, o que ajudou as coisas a evoluírem muito naturalmente.
– Nos espectáculos dos Da Weasel vê-se crianças e jovens a cantar as letras. ‘Re-Definições’ vendeu 80 mil discos. No Rock In Rio actuaram para 60 mil pessoas. Já pensaram em vocês como os ídolos de uma geração?
– Assusta-me pensar nisso. Não tenho essa pretensão e nem quero essa responsabilidade. A vida que faço não é exemplo para ninguém.
– Que relação têm com os fãs?
– Procuramos que seja muito próxima. Há um núcleo duro que nos acompanha para todo o lado e com esses, por exemplo, já se criou uma empatia muito grande. Depois dos concertos fazemos sempre por ter um tempinho para eles. Para além disso, temos o ‘site’ onde conversamos muito.
– Que tipo de abordagem é que eles vos fazem?
– Todo o género de coisas, desde as perguntas mais básicas, até aos que nos dizem que a nossa música os ajudou em fases difíceis da vida.
– Já viveram alguma cena desagradável com fãs?
– Houve um concerto em Gondomar que foi o culminar de uma série de espectáculos seguidos em que, no final, decidimos ir embora porque estávamos muito cansados. Acabámos por não reservar o tal tempinho para os fãs. Eles não gostaram e quase fomos linchados. Quando saímos, só havia pessoas a bater-nos nos carros. O nosso ‘road manager’ levou uma chapada de uma senhora.
– Ainda existe muito a ideia de que uma banda, e especialmente o vocalista, tem as miúdas todas atrás. Costumam receber propostas indecentes?
– Já recebi algumas. Não me posso queixar (risos).
– Por exemplo?
– Há quase sempre aquele piropo muito engraçado do género “faz-me um filho!”.
– Qual é a sua posição relativamente às drogas?
– Sempre defendi a legalização das drogas leves. Acho que o álcool é muito mais perigoso e há estudos que o confirmam.
– Tocaram no passado fim-de-semana em Paris no Dia de Portugal. Que motivos temos para nos orgulharmos de ser portugueses?
– Acho que nos podemos orgulhar do nosso fundo. O português tem bom fundo. É boa gente. Já viajei muito por esse Mundo e acho que, em termos de simpatia e hospitalidade, só há um povo que ultrapassa o português que é o cabo-verdiano.
– E temos motivos para nos envergonharmos de Portugal?
– Talvez nos devêssemos envergonhar da passividade em que muitas vezes nos deixamos cair e andar. Há muita falta de reivindicação. As pessoas vivem muito acomodadas. Tirando o 25 de Abril, a única coisa que me fez arrepiar até hoje na História recente de Portugal foi a mobilização em torno de Timor-Leste, em que as pessoas saíram para a rua para se manifestarem.
– Portugal dá muito pouco valor ao que é seu e a música é um bom exemplo disso. Já pensaram onde poderiam estar se tivessem nascido noutro país?
– Penso nisso quando estou, por exemplo, nos prémios MTV, e começo a ver que uma banda norte-americana que ganhe platina não tem de fazer mais nada no resto da vida (risos). Mas ainda assim, dou-me por contente com aquilo que tenho e que já consegui.
– Porque se ouve tão pouca música portuguesa em Portugal?
– Há quem diga que isso acontece porque as pessoas são tacanhas. Eu não acredito nisso. Os media, as rádios e as televisões é que são tacanhas. Conheço bem o País real e já toquei em sítios inacreditáveis. Quando se diz que, em determinados locais, as pessoas são parolas, isso não é verdade. Há muita gente com orgulho na língua e que prefere ouvir-me cantar em português do que em inglês.
– Então o que é que se passa?
– O problema está nos poderes instituídos, está na rádio e nas televisões que continuam a ser preconceituosas em relação ao que se faz em Portugal.
– Carlos Nobre Neves é o verdadeiro nome de Pacman. Há muitas diferenças entre um e outro?
– O Pacman é talvez uma pessoa mais arrojada, é um Carlos Nobre mais livre, com menos medos. É engraçado porque, enquanto cantor dos Da Weasel, consigo ganhar um à-vontade e uma força que não tenho na minha vida normal. Aliás, eu, o Carlos Nobres Neves, sou uma pessoa muito tímida e reservada. Acho que, no fundo, essas são as grande diferenças.
"VOLTAREI A DAR A CARA POR ALEGRE"
CM – Pela primeira vez, deu a cara pela política e pela campanha de Manuel Alegre. Perdeu para Cavaco Silva. Como homem de esquerda como vê a presidência de um homem de direita?
Pacman – A minha opinião tem mais a ver com o que Cavaco Silva simboliza e não tanto com o que tem feito. Claro que gostava que estivesse um homem de esquerda na presidência, mas estaria muito mais preocupado se estivesse um de direita no Governo.
– O que o fez entrar na campanha?
– O Manuel Alegre, apenas e só. É uma pessoa muito humana com um grande carácter e que, como poucos, acredita naquilo que diz. Sou um grande admirador seu e não tinha como recusar o convite que me fez.
– É para continuar?
– Voltarei a dar a cara pelo Manuel Alegre sempre que ele me pedir mas apenas, e só, para ele. De resto, para mim, a política está cheia de jogos muito feios e muito sujos. Não gostava de ter de participar deles. Acredito que a política corrompe.
– Manuel Alegre gerou um movimento impressionante à sua volta. Conseguiu um milhão de votos. Entretanto, essa onda parece ter-se esfumado. O que aconteceu?
– Não tenho essa ideia. As pessoas mais activas continuam a reunir-se com frequência. Eu, por exemplo, afastei-me um pouco, mas apenas por causa da música.
– É importante que a música tenha um papel interventivo na política?
– Sim. Pode e deve ter. Tudo o que tenha a ver, por exemplo, com campanhas de solidariedade ou causas maiores, a música deve dar o seu contributo porque tem uma influência enorme junto das pessoas.
"SÓ QUERO QUE PORTUGAL JOGUE BEM"
CM – O Bob Marley já dizia que futebol é música. O que espera do Mundial?
Pacman – Só quero que Portugal jogue bem. Gostava que fossemos o mais longe possível mas, acima de tudo, que a selecção portuguesa jogasse sempre concentrada e como equipa. Espero que todos os nossos jogadores dêem motivos de orgulho ao País.
– Portugal é favorito?
– Acho que temos equipa para discutir resultados com qualquer equipa do Mundo, mas ainda não estamos a fazer os jogos ideais, que estão dentro do real alcance dos nossos jogadores. Mas é algo que com o tempo – ontem já se notaram grandes melhorias – poderá ser uma realidade. Os outros não nos vêem como favoritos e isso pode ser um trunfo a nosso favor.
– As equipas africanas que estão na prova merecem-lhe uma atenção especial?
– Confesso que, depois de Portugal, o meu coração balança para as equipas africanas. Tenho pena de que Cabo Verde não tenha conseguido a qualificação.
– Apesar de a sua família ser de Cabo Verde, você nasceu em Angola. Pode-se dizer que é a sua segunda equipa no Mundial?
– Desejo tudo de melhor para Angola mas sei que é muito difícil chegar à próxima fase, embora estes resultados já sejam muito importantes.
"O RACISMO É MUITO ENCAPUZADO"
CM – Você foi protagonista de um episódio racista no Estádio da Luz não há muito tempo. Afinal somos ou não um povo racista?
Pacman – Acho que há muito racismo por aí, se bem que em Portugal o racismo é muito encapuzado. Vemos muitos pretos a trabalhar no McDonald’s, mas depois podemos contar pelos dedos de uma mão os que vemos à frente de um balcão de um banco. Quantos pretos há, por exemplo, a trabalhar na televisão? Se olharmos para grandes cargos, seja em organismos particulares ou públicos, simplesmente não vemos pretos.
– Sendo mestiço e oriundo de Almada, uma zona não propriamente rica, foi alguma vez vítima de racismo?
– Venho da classe média-baixa e de uma rua que, tirando os bairros sociais, é a que tem mais pretos em Almada. O sítio onde eu vivia era mesmo conhecido pelas pessoas como a rua dos pretos. Isso quer dizer que ali estava completamente salvaguardado. As primeiras manifestações de racismo senti-as na escola e no Secundário. Lembro-me que namorava com uma miúda branca e que o pai lhe batia em casa por causa de andar a sair comigo. Recordo-me também de que a minha adolescência coincidiu com o movimento dos ‘skin heads’ na margem Sul e que fomos muito perseguidos na altura.
PERFIL
Nascido em Angola mas filho de cabo-verdianos, Pacman saltou para a ribalta quando em 1994 se formaram os Da Weasel. De Led Zeppelin ao hip-hop, passando por r & b e bandas mais pesadas, ouve de tudo. Com ‘Re-Definições’, o último álbum, o grupo chegou à quadrupla platina, mais de 80 mil unidades vendidas.
Aos 30 anos foi convidado pela filha de Manuel Alegre para mandatário da juventude na campanha do pai às presidências. Defende a despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às 12 semanas, a restrição do tabaco em certos locais público, uma media que considera positiva para combater o vício. Participa no último álbum de Nelly Furtado, ‘Loose’.
Miguel Azevedo
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Quinta, 27 Abril 2006
Entrevista com... Da Weasel
13:40 Escrito em Entrevistas | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
Segunda, 09 Janeiro 2006
Queremos Respostas - PacMan em Paris
Paris estava em chamas, mas os Da Weasel insistiram tanto que, mesmo assim, fomos vê-los ao Olympia.
Antes de mais, quantos tiros já levaste?
Nenhum, graças a Deus.
E os outros clichés dos rappers, passaste por eles na juventude?
As coisas em que estive até hoje, a maneira de estar, vai um pouco contra a cena rapper. Não me considero sequer um mc, mc de batalha...sou um rapper, na medida em que escrevo e rimo, a partir daí não tenho nada a ver com o estereótipo do género.
Os Da Weasel foram a primeira banda nacional a gravar um disco de hip-hop. O pessoal ficou muito baralhado convosco?
Um bocado. Nascemos na cultura hip-hop, mas não somos um projecto convencional. A crítica foi rápida a catalogar-nos, mas muitos gajos do movimento ficaram revoltados, porque sabiam que não éramos um projecto única e exclusivamente hip-hop, era mais uma fusão.
E ao vivo?
Em 1993, 94, começaram os concertos de hip-hop em Lisboa e arredores - Boss AC, Black Company, todos os que apareceram no Rapública. Aí as pessoas ficavam mesmo à toa: ninguém tocava com banda, no máximo havia um DJ. Nós tínhamos baixo, bateria, guitarra, e as pessoas ficavam mais identificadas.
Não aceitarem o rótulo hip-hop deu-vos liberdade para fazer o que apetece, certo?
No início, as letras eram muito concentradas no hip-hop, é natural que tivesse havido essa confusão. Mas o primeiro disco já tinha uns samples de Red Hot, Dead Kennedys, cenas trash...
Havia por cá batalhas como as do 8 Mile?
E existem. Na rua, em alguns bairros. Mas entre 1995, 97, eu e o Jorge, que era o KJB dos Black Company, tínhamos um programa na FM Radical, o Ataque Verbal. Começámos uma noite de microfone aberto no Johnny Guitar e quem quisesse subia ao palco. Houve muitas batalhas, algumas até ficaram feias...
E uma década depois, o hip-hop tomou o lugar do metal nas escolas, não te parece?
Completamente. Há uns anos, era inconcebível, havia mesmo preconceito quando se ouvia falar em pessoal do rap. No secundário, era sinónimo de ser do gueto, pessoas de quem se tinha medo. Hoje, qualquer puto de classe média-alta curte hip-hop e anda de calças largas.
Gostavas da escola?
De tudo, menos das aulas. Aprendi muito, nos intervalos e quando me baldava.
Já escrevias rimas ou tiveste de te chegar à frente?
Escrevia, mais texto corrido, mas sim, tive de me chegar à frente. Tocava em bandas punk hardcore com o meu irmão, o primeiro concerto que dei foi uma primeira parte dos Censurados, salvo erro em Corroios. Não havia ninguém para cantar e o meu irmão [Jay] disse "cantas tu"!
Porquê a passagem do inglês do EP para o português do primeiro álbum?
Na altura nuita gente rimava em inglês, até roubavas cenas dos rappers internacionais e quase ninguém notava. Muitas pessoas à volta fizeram pressão e aí vi o quão pouco genuínas eram as outras coisas. Não estou a deitar fora, mas não há comparação.
É difícil não ficar foleiro na nossa língua?
Isso é um preconceito tramado. Por exemplo, quando escrevi o Re-Tratamento, tinha noção de que podia ser piroso, mas fui em frente. Há coisas que fazem parte da nossa vida e são foleiras. Ouço letras em inglês de arrepiar e as pessoas não se importam. Se tiver de dizer "bebé", digo, desde que faça sentido.
Os Da Weasel vendem que se fartam, uma namorada das telenovelas, mandatário do Manuel Alegre. Era quase impossível não te tornares uma figura pública. Gostas?
Não. Nunca tive problemas em ser reconhecido pelas razões certas. Mas já tenho quando é, por exemplo, por andar com alguém que faz telenovelas. Isso não, gosto de ser reconhecido pelo meu trabalho. O resto custa-me muito.
Mas um mandatário para a juventude não deveria saber mergulhar?
Estou a tratar disso, mas posso sempre entrar numa de mau exemplo... Mas enquanto mandatário, o que tento fazer é cativar uma certa fatia da juventude que, como eu, não se revê em nenhum dos outros candidatos.
Ligas mesmo à política. Tens opinião sobre a Ota e o TGV?
Tenho, não é coisa de que vá falar agora... Acabo por ser muito intuitivo e confio no carácter do Manuel Alegre. O Cavaco Silva, as pessoas mais novas se calhar não se lembram, mas não me parece que tenha deixado saudades; e o Mário Soares, acho que já teve o seu tempo.
Carlão, Pacman, Puto P... são heterónimos, tens ambições de ser um Fernando Pessoa dos tempos modernos?
Surgiram naturalmente. Sempre andei com pessoal mais velho, por causa do meu irmão. Tinha 11 anos e chamavam-me Carlão, no gozo. Acabou por ficar, porque os passei a todos em altura. Depois foi Pacman, Puto P era para ser um nome mais português. O Pac nunca desapareceu e desisti. Até tenho outro, o Pacotes, para outras cenas que faço...
E o que é que elas te chamam na cama?
Depende. Regra geral é Carlos.
Vida de músico é como os marinheiros, um amor em cada palco?
Também depende. Sempre fui de uma relação e aí só tenho um porto. Claro que, enquanto músico, tocas em muitos sítios e surgem muitas cenas, não vou ser hipócrita. Mas há quem faça muito mais vida de marinheiro do que eu.
Moram todos na Margem Sul?
À excepção do Guilherme que é de Alfama e mora na Graça.
O que é que tem de especial para continuarem lá?
Nasci quase aqui, foi em Angola, mas vim para cá bebé. Há aqui um sentimento mais bairrista, as pessoas conhecem-se bem, são unidas. É um pouco diferente de Lisboa, excepto alguns bairros. O Porto já é diferente.
Vais continuar por lá...
...Sempre, sempre.
Alguma vez imaginaste ir de Almada até Macau?
Não. Foi uma surpresa fixe, mas mais ainda foi Paris.
Foste aos casinos lá em Macau?
Alguns. Ninguém da banda é de casinos, à excepção do Guilherme. Sempre que vamos tocar a algum sítio que tenha um por perto, ele vai para lá. Mas é calmo, só slot machines...
E depois o Olympia. Achas que dá para fazer uma digressão pelas comunidades lusófonas, África, Brasil...?
Acho que sim, havendo vontade dos promotores. Este ano estive em Cabo Verde e senti que as pessoas queriam mesmo um concerto dos Da Weasel. O Virgul esteve o ano passado em Angola e também sentiu isso. O pessoal conhece, passa na rádio e nas discotecas.
Vocês conseguem ser mainstream e ao mesmo tempo de culto: houve quem fosse daqui de autocarro para vos ver em Paris!
Certo. Faz-me um bocado de confusão os rótulos, mas mainstream faz-me menos que comercial, por exemplo...
...vocês chegam dos bairros até Cascais.
Nesse sentido é um bom mainstream. Mas já foi muito mais uma banda de culto do que é hoje. Era fixe para alguns putos curtir Da Weasel, agora se calhar é mais estranho, porque a irmã de quatro anos já canta.
E agora, não têm medo de cair da montanha que escalaram?
Quando vendemos Ouro no Podes fugir, achámos que mais que isso era impossível. Continuámos a fazer a nossa música e acabou por ser este o que vendeu mais, não vale a pena pensar nisso.
Bandeiras, cachecóis, o pessoal a cantar o hino...Vocês em Paris acabaram por ser uma espécie de Benfica na música.
Certo. A partir do momento em que vem aqui uma banda tuga, essas coisas vêm ao de cima, gritos de Super Bock, Portugal e Benfica, três coisas com as quais nos identificamos.
No vosso DVD dizes: "depois lembro-me que um gajo ainda ganha dinheiro com isto..." Estão a viver um sonho?
Claramente. Estou a fazer uma coisa de que gosto...um sonho, é mesmo isso.
Segunda questão a ver com o DVD: dizes que só gostas de vomitar a meio ou no fim dos concertos. E dúvida é: porque é que gostas de vomitar, seja em que altura for?
Foi um bocado mal dito. Stresso muito nos concertos, regra geral, tomo um ansiolítico. Há uns anos eram outras coisas... Este concerto até correu muito bem, é uma questão psicológica. Quem vir, deve pensar que sou maluco, mas podem ter a certeza que, se tivesse feito alguma coisa, estava tranquilíssimo.
Como é que descomprimem fora do palco?
Bebemos copos. Nós e a equipa técnica somos quase família, sempre na palhaçada, recebemos muita gente no backstage e ficamos por ali.
Em Paris vocês pareciam os putos da escola em visita de estudo. Nunca se chateiam?
É natural haver stresses, mas de maneira geral o pessoal dá-se bem. A prova é que quando acaba uma digressão, se for preciso ainda vamos de férias juntos.
São todos do Benfica?
Menos o Virgul, que é do Sporting, e o Mãozinhas [DJ Glue], que não se sabe muito bem, não liga muito.
Costumas ouvir os vossos CDs?
Só quando o disco está fresquinho e queres ouvir se ficou tudo bem, para te habituares à coisa e depois tocares ao vivo. Os antigos não, às vezes apanho cada susto! Há tempos, ouvi uma cena do Dou-lhe com a Alma e arrepiei-me todo, por causa da voz esganiçada.
A estreia do Virgul a solo, lá para Fevereiro, não mexe com os Da Weasel?
Acho que não. Ouves aquilo e vês mesmo que é a cara do Virgul, mais virado para o reggae, acho que só é bom para os Da Weasel.
Disseste-me que o concerto do DVD não era dos melhores e que os dos Coliseus, lançados agora em CD, não foram dos melhores...és o eterno insatisfeito?
Não, nem quero ser mal interpretado. Já saí de concertos com pessoal da banda a dizer que foi o melhor dos últimos tempos e para mim tinha sido dos piores. É muito relativo. Por razões pessoais, não desfrutei dos Coliseus como a ocasião merecia. O do DVD é meio estranho: era para ser mais intimista, mas mesmo nos festivais tivemos concertos que extravasaram mais. Se tivesse gravado no Sudoeste, se calhar estava a dizer que o outro tinha sido mais porreiro.
Qual o primeiro concerto a que foste?
Iron Maiden, em Cascais, tinha 11 anos...
...agora estás com 30, não devias começar a pensar em constituir família, ter filhos, essas coisas?
Quero constituir família, claro que pretendo ter filhos, mas não o sinto como obrigação. Quando surgir, surgiu. Agora estou numa fase de pausa.
E achas que os Da Weasel vão durar tanto como os Xutos?
A ideia é um bocado essa, até porque é das bandas que mais admiro e não estou a falar só de Portugal. Sigo-os como um exemplo.
Então voltamos a falar a seguir ao concerto dos XX anos?
Era boa dica...
A Maxmen em Paris
Entrevista de Hugo Vinagre
Fotografias de José Chan
Três Discos
Thriller
Michael Jackson
"Um dos primeiros discos que comprei, com o dinheiro da minha mãe, claro. A todos os níveis, a música, o vídeo, bateu-me muito e ficou para sempre. Foi das coisas que mais me influenciou enquanto criança."
O Monstro Precisa de Amigos
Ornatos Violeta
"Convinha ter um disco português e este é dos melhores de sempre, de uma das melhores bandas, com um gajo [Manel Cruz] que me fez acreditar de novo no rock, principalmente por causa das letras. No rock, por vezes, há falta de bons assuntos."

BE
Common
"Já foi Common Sense, agora é só Common. Um dos melhores rappers vivos, é dos gajos que escrevem melhor e que têm uma atitude mais cool. Em onze temas, nove são produzidos pelo Kanye West, em excelente forma."
ESTATÍSTICAS VITAIS:
Guillaz
Nome Verdadeiro: Guilherme Silva Idade: 35 Altura: 1.71 Peso: 74 Posição: Baterista Doninha Desde: 1995 Ponto Alto: Prémios MTV em Roma. Momento Baixo: Quando o Virgul partiu a perna e tivemos de improvisar. Melhor História: As miúdas atiram soutiens e cuecas nos concertos. Uma vez, no Sudoeste, mandaram uma boneca insuflável e estivemos a curtir com ela no palco.
Virgul
Nome Verdadeiro: Bruno Silva Idade: 26 Altura: 1.72 Peso: 75 Posição: Vocalista Doninha Desde: 1995 Ponto Alto: Ganhar um MTV European Award. Momento Baixo: Quando não há concertos. Melhor História: Estar com as estrelas nos MTV Awards, em Roma. Aquela after-party no hotel...
Puto Pac
Nome Verdadeiro: Carlos Nobre Idade: 30 Altura: 1.83 Peso: 83 Posição: Vocalista Doninha Desde: 1994 Ponto Alto: Os Coliseus. Foi aí que percebemos que estava a correr bem. Momento Baixo: O Virgul ter partido a perna no Sudoeste. Melhor História: Uma vez, demos um concerto na Figueira da Foz e esquecemo-nos lá do Quaresma.
Jay-Jay
Nome Verdadeiro: João Nobre Idade: 34 Altura: 1.68 Peso: 60 Posição: Baixista
Doninha Desde: 1994 Ponto Alto: No Peak de Hong Kong. Momento Baixo: Zambujeira do Mar, o Virgul teve uma fractura exposta. Melhor História: Quando tocámos em Barcelona, o Quaresma era writer de grafitti e tagou o hotel. Chamaram a polícia, ele fugiu com a arma do crime e atirou-a ao rio.
Glue Swan
Nome Verdadeiro: Miguel Santos Idade: 24 Altura: 1.70 Peso: 70 Posição: DJ Doninha Desde: 2001 Ponto Alto: O concerto no Olympia. Momento Baixo: Antes de entrar para os Da Weasel. Melhor História: Num concerto perto de Braga, era tanta gente a pedir autografos que o motorista ficou com a carrinha a trabalhar nas traseiras e nós saltámos pela janela.
Quakas
Nome Verdadeiro: Pedro Quaresma Idade: 33 Altura: 1.78 Peso: 75 Posição: Guitarrista
Doninha Desde: 1994 Ponto Alto: Se calhar, o Olympia. Momento Baixo: Quando não há nada para fazer. Melhor História: Já estivemos em dois festivais onde o Tony Carreira tocava antes de nós, num palco pequeno, ao lado do nosso. E ele tem o dobro dos nossos músicos!
> A Paixão
NATIONAL PORNOGRAPHIC
Cuidado com as doninhas americanas!
A espécie mais pequena da família dos carnívoros encontra-se um pouco por toda a Europa, Ásia, Norte de África e em algumas zonas dos Estados Unidos. Acasalam na Primavera, a única época em que os machos e fêmeas contactam uns com os outros. A fêmea faz um ninho no interior da toca e cinco semanas após o acto nasce uma ninhada de três a oito doninhazinhas. A partir das oito semanas, já caçam para elas e, às doze, a mãe põem-nas na rua, nada de ficar em casa até aos quarenta! Milhares de doninhas americanas foram introduzidas na Europa pela antiga URSS, o que colocou as europeias à beira da extinção - as americanas são maiores e melhores nadadoras, e os seus machos acasalam com as fêmeas europeias antes dos machos europeus. Vai daí, elas não engravidam e na época de gestação já não querem nada com os seus conterrâneos. Ultimamente têm sido levadas doninhas europeias para a Nova Zelândia, que se espera ser suficientemente longe para as americanas nadarem até lá. Por isso, Pac & Companhia, cuidado!
À L'OLYMPIA
Concerto Nº87 da tournée de Re-Definições, o álbum mais vendido nos 11 anos dos Da Weasel.
Depois de festivais em Berlim, Madrid, Barcelona e Macau, a banda de Almada estreava-se em França e logo em nome próprio. Durante o sound-check, cinco horas antes do concerto, soubemos que bilhetes para aquela noite era coisa que já não existia. Duas mil e quinhentas pessoas, sold out... Isto quando, na véspera, Natalie Imbruglia pouco tinha passado dos 500 espectadores. Normalmente, não há filas à porta do Olympia, diziam-nos, mas quando saímos para jantar, hora e meia antes do DJ que fazia a primeira parte, já lá estava um número considerável de pessoas, tipo bilheteira da FNAC quando há novo concerto em cartaz.
No MacDonald's da rua do Olympia falava-se em português, bastou perguntar em voz alta onde estavam as palhas para termos logo resposta e umas meninas a ensinarem-nos que se dizia "paille" em francês. Merci. Voltando à sala, já a festa estava montada. Parecia um jogo de futebol: cachecóis, bandeiras, t-shirts, cantou-se o hino, "Super Bock, Super Bock" e no fim do concerto saiu toda a gente a gritar "Por-tu-gal!" Mais patriotismo por parte de jovens, muitos deles nascidos em França, numa sala parisiense, do que muitas vezes em Portugal inteiro.
O concerto, esse, não andou muito longe do normal: há três alinhamentos-base, feitos por toda a banda, que raramente falham. Estar ali arrepiou mais do que uma vez, por nos lembrarmos que estávamos bem longe do Coliseu. Só faltou God Bless Johnny, talvez old school demais para tocar no estrangeiro, e Casa.
Esta explicaram-nos porquê: só a tocam com o Manel dos Pluto, ex-Ornatos, ou com o videoclip a passar,e ali nã tinham uma coisa nem outra. Quem os quiser ver ao vivo ainda nesta digressão, só mesmo na passagem de ano: antes da meia-noite na Figueira da Foz, e depois no Porto, já nas primeiras horas de 2006.
LES BANALITÉS
Os instrumentos foram de carrinha, nós fomos com eles de avião e muita coisa aconteceu em três dias.
Primeira boa impressão de Paris: alguns táxis têm GPS, óptimo para saber se estamos a ser enganados. Foi o único transporte público que utilizámos no trânsito caótico da capital francesa, na maioria das vezes para tirar as fotografias com Pacman. No primeiro dia, a foto não funcionou, já que por lá anoitece pouco depois das 17 horas. Voltaríamos no dia seguinte, graças a Deus com menos trânsito, era feriado por causa do final da I Guerra Mundial. Mas dessa vez apanhámos com uma mulher poliícia autoritária, que correu conosco do jardim da Torre Eiffel, por não termos autorização para fotografar lá. Antes disso, já Pacman tinha sido reconhecido. Mais tarde, junto ao Moulin Rouge, um senhor não resistiu a sair do restaurante onde almoçava para vir perguntar se era algum futebolista, ao ver o aparato de material fotográfico que bloqueava todo o passeio. No sound-check havia montes de imprensa portuguesa, mais de vinte, à vontade, mas lá os raptámos um a um para uma saída de emergência, onde os fotografámos. Voltaríamos a encontrá-los no fim do concerto, já no backstage, onde só faltou o Pauleta, que estava em Portugal por causa da Selecção. Lembramos que esta viagem foi no início do recolher obrigatório por causa dos carros em chamas mas, apesar de o aftershow ter sido na Costa do Sol, uma discoteca lusa a cerca de uma hora do Olympia, nem sinais da escumalha. Estiveram lá os Canta Bahia e tivemos direito a buffet e Moet & Chandon à discrição - Virgul até viria a dar banho ao pessoal com uma das garrafas, à porta da discoteca, cerca das 4 da manhã. Os jovens luso-descendentes, esses, dançavam martelos fora de prazo, para não falar de uma cena que só vista (da zona VIP, onde estávamos, umas vezes de champanhe, outras de Super Bock na mão): começou a dar Quim Barreiros e toda a gente dançou, com os bracinhos no ar, à rancho folclórico e tudo. A sala estava cheia e na rua ainda se formava uma fila de gente que não se importava de esperar à chuva. Regressámos no avião deles, nos lugares normais, nada de executivas. Nem Playstations a bordo, como no avião em que foram para Macau. Voltando a Paris, um milhão de tugas faz-se sentir, até um pequeno incidente a más horas parecia ter sido escrito por um mau argumentista: nós, portugueses; o motorista do autocarro, português; o nosso taxista, português; e dos dois polícias, um também era dos nossos...
in
nº 58 Janeiro de 2006
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Terça, 06 Dezembro 2005
Um presente para os nossos fãs
Em apenas um ano os Da Weasel ‘redefiniram’ a sua posição no cenário musical português e hoje são uma das mais populares bandas nacionais, como se pode conferir no disco ‘Ao Vivo Coliseus’. Em entrevista ao CM, os músicos Pacman e Nobre sintetizam a “temporada espectacular” e o significado do álbum ao vivo.
Correio da Manhã – Este disco ao vivo é o culminar do período de maior crescimento dos Da Weasel. Foi o Prémio MTV (no final de 2004), os discos de platina, os Coliseus, o concerto em Paris... É a ‘coroa de glória’ para a banda?
João Nobre – O disco vem na sequência de uma temporada espectacular, mas a sua edição acontece porque corresponde a momentos muito importantes na nossa carreira. Esgotar dois coliseus não acontece muitas vezes e principalmente porque foi um ambiente fantástico que tivemos naquelas salas. Daí que seria um desperdício enorme as gravações ficarem na prateleira. Este disco é mais um presente para os nossos fãs do que o culminar de uma caminhada.
Pacman – Nós próprios estávamos muito relutantes em editar isto, mas depois de ouvirmos o resultado achámos que valia mesmo a pena. Por nós só fazíamos isto daqui a uns tempos, mas foi um ‘feeling’ tão fixe quando ouvimos as canções, a participação do pessoal, o som, e foi um momento tão importante que decidimos avançar.
Ao longo deste ano ‘gordo’ o que vos deu mais gozo?
Pacman – Para mim, das coisas que me deram mais prazer foi ir tocar a Vila Verde, Braga, que não tem praticamente nada, e teres milhares de pessoas à espera, para cima de cinco mil. Foi esse tipo de concertos. Este ano tocámos bastante (mais de 90 concertos), em sítios que quase não vêm no mapa e tínhamos uma imensidão de pessoas à frente. Para mim este ano fica marcado por isso, conseguimos tocar em franjas de público que ainda não alcançáramos.
Contavam com tamanha adesão do público?
João Nobre – Começámos numa altura em que este género de música era ultramarginal, naquele sentido de ser uma linguagem nova, estranha e ainda por cima cantada em português. Mas fomos crescendo devagar, nunca alimentámos grandes expectativas em relação à nossa carreira. Estamos aqui porque gostamos de música, sempre fizemos aquilo de que gostamos e a nossa postura na música sempre foi essa, um pouco relaxada, fazer o que gostamos. E nunca dissemos que qualquer disco tinha de atingir esta ou aquela meta. Quando o ‘3.º Capítulo’ chegou a Prata (e eram dez mil exemplares na altura) sentimos que qualquer coisa podia acontecer com os Da Weasel. Depois foram pequenos ‘forwards’ que foram acontecendo.
Mas dai às quatro platinas vai uma grande distância. Foi uma surpresa total...
João Nobre – Já a prata do ‘3.º Capítulo’ o foi. E ainda bem que as coisas aconteceram assim, porque a gravação do ‘Redefinições’ aconteceu de uma forma relaxada, sem pressões de qualquer espécie. Demos o nosso melhor e, se calhar, fomos recompensados por isso.
E este sucesso, esta exposição, não vos coloca sob maior pressão?
Pacman – Não. A mim ainda me espicaça mais [risos].
As vossas letras conseguem aliar diversão com reflexão. Acham que o hip-hop pode ser uma linguagem de integração social?
Pacman – Em Portugal ainda pode ser, porque se lá fora o hip-hop já se mandou para outras direcções, cá, que ainda vamos numa fase de crescimento, ainda se vive muito disso e atrevo-me a dizer que actualmente as melhores letras que se fazem em Portugal são, de facto, as que vêm do hip-hop e géneros que lhe estão ligados. Em termos de letras é um cenário muito pobre aquele que se vive em Portugal. Se por um lado se tem boas ‘malhas’, com produções irrepreensíveis, etc, na parte das letras deixam um pouco a desejar e nesse aspecto acho que há pessoas a fazer coisas bem mais interessantes ligadas ao hip-hop, mesmo que não seja o convencional, como o Kalaf faz com o ‘1 Uik Project’, que não é hip-hop, mas é uma linguagem parecida e aí já há outra riqueza, uma preocupação com as palavras e o aspecto social.
E depois do disco ao vivo. O que se segue?
João Nobre – Já estamos um pouco de férias e vamos estar um pouco no Inverno. Depois vamos começar a pensar em compor, entrar em fase criativa que deverá resultar num novo disco de originais, que só sairá no final de 2006. Vai ser portanto um misto de férias, concertos e criação.
PERFIL
Os Da Weasel nascem no início dos anos 90, em Almada, e o primeiro registo de estúdio chega em 1994. O inglês era então a língua escolhida e ‘More Than 30 Motherf*’ revela-se um explosivo coktail hardcore-rock-hip-hop-metal. Foi sol de pouca dura, já que no ano seguinte os Da Weasel edita o álbum de estreia já em português, ‘Dou-lhe com a Alma’. A partir de então, e com o hip-hop como matriz, ‘a doninha’ lançou mais três álbuns que foram cimentando a popularidade da banda. Foram eles: ‘3.º Capítulo’ (‘97), ‘Iniciação a Uma Vida Banal - O Manual’ (‘99), ‘Podes Fugir Mas Não Te Podes Esconder’ (’01) e ‘Re-Definições’, (’04).
Luís F. Silva
in CM
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Sábado, 18 Junho 2005
Os 10 segredos melhor guardados
Eles são super unidos e têm uns segredinhos que dificilmente saem da banda. Descobre os dez segredos melhor guardados dos Da Weasel!
1 PUBLICITÁRIO
O Jay Jay é licenciado em Marketing e chegou a trabalhar nessa área, que mesmo agora concilia com o seu lugar nos Da Weasel. Há com certeza por aí algumas campanhas publicitárias que foram feitas por ele!
2 SEMPRE JUNTOS!
Parece que os Da Weasel não se fartam mesmo da companhia uns dos outros. Estávamos nós há umas semanas no Festival Super Bock Super Rock e lá estavam eles, juntos, a curtir algumas das bandas mais rockeiras do momento! Eles estão sempre atentos às novidades.
3 IDADES
A doninha mais crescidinha é o Guilherme, que nasceu no dia 2 de Setembro de 1970, tem portanto 34 anos. Já o mais novinho é o DJ Glue, o Miguel, que nasceu dia 26 de Maio de 1981, e que acaba de fazer 24 anos.
4 O LADO NEGRO DOS DA WEASEL
Vamos a feitios (sim, eles também têm o seu lado negro!): se bem percebemos, o Guilherme não é lá muito agradável ao acordar e o melhor é mesmo ir despertá-lo devagarinho! O Quaresma admite que é muito resmungão, e o Jay é o mais stressadinho da banda. Já o Virgul reconhece que é muito orgulhoso.
5 AMIGOS DE SEMPRE
O Jay, o Pac e o Quaresma são os que se conhecem à mais tempo. São amigos de infância, já que cresceram juntos num bairro de Almada. Foram juntos aos seus primeiros concertos.
6 «BIG MISTAKE»
O DJ Glue esteve quase a recusar o convite para entrar nos Da Weasel! Era apontador da construção civil, tinha uma profissão estável, e teve por momentos medo de arriscar. «Passados três anos acho que fui completamente estúpido em ter dúvidas sequer. Tem vindo a ser umas das melhores coisas que me aconteceu na vida», diz agora!
7 PRÓXIMO SINGLE
Se fosse o Pac a escolher, o quarto single seria o «Despertar», porque «era porreiro para fazer o contraponto ao "Casa". Adoro o "Casa" mas acho que "Despertar" ficava muito bem a seguir». Já o DJ Glue optava pelo tema «Carrossel», pela música, pela letra, e porque acha que o refrão entra bem no ouvido.
8 AS LETRAS
É o Pac que escreve quase todas as letras da banda, e por isso inspira-se em momentos marcantes da sua vida e das experiências que vive a banda.
9 VIRGUL A SOLO
O Virgul deve lançar um álbum a solo ainda este ano! É muito na onda reggae, com soul à mistura, e já gravou montes de coisas. Só falta ter data marcada para o lançamento! E já nos deixou uma dica: «Quero falar de amor, em todos os sentidos».
10 NOVO ÁLBUM
Segundo alguns nos confessam, não vão esperar até ao fim do ano para começarem a trabalhar no próximo álbum, e prevê-se um novo disco Da Weasel já em 2006!
in Super Pop nº 255
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Sexta, 18 Fevereiro 2005
A Consagração
'Re-Definições' foi o disco português mais vendido de 2004. Hoje, em noite de consagração, sobem ao palco do Coliseu dos Recreios para fazer a festa. Em jeito de apresentação, Pacman e Jay falam ao DN
2004 foi o ano Da Weasel?
Pacman - Para nós foi... Foi o acumular de muita coisa boa que tem acontecido connosco. E esse acumular deu quase todos os frutos em 2004. Foi o disco que correu melhor em termos de vendas, de adesão do público, do single. Houve o prémio da MTV, o DVD...
Foram precisos dez anos para atingirem estes feitos. Era impossível que tivessem acontecido mais cedo?
Jay - Se tivesse acontecido mais cedo era a morte do artista. Prefiro ver os Da Weasel como uma carreira. As coisas tiveram de acontecer quando aconteceram. Iniciámo-nos numa independente, passámos para uma semi-independente, depois veio uma multinacional. O que veio não veio tarde nem cedo. E vejo que os Da Weasel estão bem.
Pacman - Se tivéssemos vendido 60 mil discos do primeiro álbum não teria sido possível oferecermos o concerto que hoje damos ao nosso público.
Conquistaram um estatuto. Já pensaram como é que o vão manter?
Jay - Nunca pensámos muito nisso. A carreira dos Da Weasel tem sido pautada por estas surpresas. Nunca tivemos objectivos... Nunca nos dispusemos a atingir um patamar ou dimensão. Penso que irá ser sempre assim... Manter o estatuto? O estatuto ainda está a ser criado...
O que significa vender 60 mil discos?
Jay - Estamos a colher o fruto de dez anos de trabalho, muita estrada, muitos concertos. Os Da Weasel chegaram às pessoas através da música ao vivo. Este foi o primeiro disco que se calhar passou em mais algumas rádios. Em mais algumas, posso contá-las pelos dedos da mão... Os Da Weasel nunca foram um produto de rádio. Os Da Weasel e muitas bandas em Portugal... (umas mais que outras). Vender 60 mil é a recompensa destes anos e de muita estrada.
Faz sentido que o disco português que mais vendeu em 2004 não tenha passado em muitas outras rádios?
Jay - É uma questão pertinente. É o disco português que mais vendeu e não necessariamente o mais tocado. Não sei... Acho que isso quer dizer que quem quer consumir Da Werasel consome...
É a rádio que está errada?
Jay - Será? Se calhar está.
O que é que este disco tinha de diferente face aos anteriores para ter permitido estes resultados?
Pacman - Houve o tal acumular dos dez anos de trabalho, mas também um single que ajudou bastante. Toda a gente agarrou o single de uma maneira incrível. E depois é toda essa história de dez anos de concertos, termos participado em muitos festivais. Mas os fãs novos, que conheceram os Da Weasel através do Re-Tratamento, já estão a irbuscar tudo para trás e estão a aderir bastante?
Quem é o novo público dos Da Weasel? É, essencialmente, gente muito jovem?
Pacman - Passa muito por aí, mas há também os pais dos miúdos.
Jay - Ambos vão ao concerto. Pensávamos que eram os filhos que levavam os pais ao concerto, mas também havia o contrário. Os pais também querem ver o concerto. Temos fãs quarentões.
Os Da Weasel vendem discos. São a excepção no hip hop português?
Jay - O hip hop... a velha questão.
Pacman - É o nosso hip hop, é diferente. Não dá para considerar exactamente hip hop, e as pessoas cada vez mais têm cultura para compreender isso. E separam bem... Quando se fala em hip hop as pessoas concentram-se muito mais em Sam The Kid, Chullage, Valete... Essa é a montra do hip hop português. Somos um projecto que passa por muito mais.
Sentem que transcendem essa fronteira, como o fizeram uns Outkast ou NERD?
Pacman - Sim, penso que estamos mais para aí, e sempre estivemos. E foi muito bom ver bandas como os NERD surgirem e influenciarem as pessoas como estão a fazer. Seria redutor para os Da Weasel falar-se só em hip hop.
Em Portugal o hip hop faz-se em português e cada vez mais pop acontece em inglês. Porquê?
Jay - O hip hop provavelmente tem muito mais espaço. Há uma ponte mais rica no português para escrever hip hop. Mais assuntos, que dizem mais directamente às pessoas...
O que significou para os Da Weasel ganhar um prémio da MTV?
Jay - No outro dia estava a ver uma newsletter dos Outkast, vinha lá a lista, e os Da Weasel estavam lá. É lindo! Para já é um prémio atribuído por votação popular, quem votou nos Da Weasel não foi um júri, foi o povo. E depois é a MTV, está tudo dito... É uma coisa que nos enche de orgulho e teve uma dimensão que não pensávamos que viria a ter. Isto para além de nos termos divertido à grande e à italiana em Roma.
O DVD que editaram no ano passado é o retrato de um ano especial?
Jay - O DVD surgiu numa fase em alta, e sentimos necessidade de mostrar mais um pouco o nosso lado B. Lo-fi e quase hardcore da essência dos Da Weasel na estrada.
Um concerto no Coliseu é necessariamente diferente?
Jay - O concerto no Coliseu está integrado numa tournée que começou há alguns meses. Há a vantagem de termos este espectáculo rodado, por isso será um concerto mais sólido. Mas um Coliseu permite fazer algumas coisas, como levar convidados que é impossível ter na estrada, como por exemplo o Manel Cruz, o João Gomes, o Sam. Ter um espectáculo de luz e vídeo que não dá para levar para Vinhais.
O alinhamento é alterado?
Jay - Vamos poder pôr canções que não podemos levar para a estrada por falta dos convidados.
Tem algum significado especial para vós dar um concerto numa sala que entre nós é sinónimo de consagração de uma carreira?
Jay - O Coliseu é especial. Já lá tocámos, mas não numa produção própria. É a cereja no topo do bolo, o coroar de um ano extraordinário num palco extraordinário.
Pacman - É um espaço com muita mística, que respeitamos bastante. Já lá vimos muitos concertos...
Como por exemplo...
Pacman - Os Pixies! É uma sala com mais alma e história que um Pavilhão Atlântico. É uma sala quente, quentinha...
E porque fizeram o DVD em Tondela e não no Coliseu?
Jay - Foi numa sala mais pequena, um auditório. Podíamos ter pegado em imagens de festivais, colá-las e mostrar que tínhamos tocado para 40 mil pessoas. Mas estávamos à procura de uma sala pequena. Lançámos um repto aos fãs de verdade para estar presentes. Houve gente que veio do Algarve a Trás-os-Montes. Foram parar a Tondela... Era uma sala pequena onde quase podíamos sentir o cheiro do suor, e fazer um concerto mais intimista, com aquela imagem série B. Podíamos ter feito uma megaprodução, mas não era isso o que queríamos. Esta é que é a nossa estrada, a realidade. Está lá tudo os vómitos, os desatinos. Estão lá os Da Weasel.
in DN
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Quarta, 16 Fevereiro 2005
Uma Página de História
O Blitz lançou o desfio: quais as perguntas a que sempre quiseram que os Da Weasel respondessem? Os leitores aceitaram o mote e os autores de Re-Definições responderam, na semana em que se estreiam na mais mítica das salas nacionais.
O último ano foi para os Da Weasel, um conjunto de meses inesquéciveis. Somam-se os galardões de vendas, com mais de 40 mil discos vendidos(Platina) de Re-Definições em plena recessão da industria musical; o respeito de pares, crítica e público; a atribuição do European Music Award da MTV para a Melhor Banda Portuguesa; a gravação de um MTV Live; a edição de 1 DVD – e agora a realização de dois concertos em nome próprio, um no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, na próxima sexta-feira, e um outro no Coliseu do Porto, uma semana depois.
No ano em que o público se rendeu em definitivo aos Da Weasel, fazia sentido que a palavra fosse dada precisamente aos leitores do Blitz, aos ouvintes da música dos autores de “Re-Tratamento”. A jornalista serve, portanto, apenas como veículo de ligação. Estas são(algumas d)as vossas perguntas e respostas dos Da Weasel. “ Respiro fundo e lembro-me da força”.
Quem tomou a iniciativa de chamar ao grupo “doninha”?
Jay Jay – Na altura era parte do título de uma canção dos 3rd Bass “Pop Goes the Weasel”, incuido no albúm Derelicts of Dialect, uma banda norte-americana de hip-hop, muito old-school. Esse nome pareceu-nos ser interessante porque nós falávamos, e falamos, de assuntos mal-cheirosos-o nome era perfeito para dar conta do cheiro incomodativo.
No inicio, os Da Weasel eram um projecto 100% em inglês: porquê a viragem para a língua de Camões?
Pacman – Essa mudança não foi uma coisa pensada. Aliás, a ideia até foi mais das pessoas que estavam á volta da banda. Sugeriram-nos que tentássemos fazer alguma coisa em português, achavam que podia funcionar. E fizemos, um pouco a medo – eu estava um bocado relutante mas rapidamente percebi que tinha sido a atitude certa. E a partir daí pusemos o inglês completamente de lado.
“More than 30 Moherf***s” foi a primeira gravação de hip-hop de uma banda portuguesa – como é que vocês encaram esse espírito pioneiro?
JJ – nós fomos um dos primeiros projectos a ter o privilégio de gravar. Mas foi uma coisa muito espontânea – não nos propusemos a nada ou a dar inicio a coisa nenhuma. Fizemos apenas o tipo de musica que gostávamos e tudo o resto aconteceu.
Já pensaram numa reedição?
JJ – Já, mas seria muito complicado e dolorosamente caro.
Complicado por ser dolorosamente caro?
Quaresma – (risos) Também. Passa-se o mesmo com o Dou-lhe com a Alma. São dois discos que ficaram…perdidos. São discos para coleccionadores.
JJ – o que acho interessante e fascinante nesse disco é precisamente o facto de ser tão difícil de encontrar. Ou seja, quem tem guarda-o religiosamente e isso é muito interessante. Mas como há muita gente que gostava de tê-lo… era engraçado que essas pessoas também o pudessem ter; por outro lado, é giro esse disco estar escondido.
Sendo os Da Weasel uma das bandas pioneiras no hip-hop em Portugal, sentem alguma responsabilidade na sua crescente evolução?
Guilherme – Passa logo por aí – por não sermos realmente uma banda de hip-hop.
JJ – Não somos uma banda de hip-hop puro e duro.
G – Temos algumas linhas hip-hop…
P – Acho que o mais importante no nosso percurso é o facto de, não sendo uma banda de hip-hop mas de crossover, termos feito pessoas que nunca tinham pensado em ouvir hip-hop começarem a ouvir. Começaram a ouvir Da Weasel e depois dele passaram para outras coisas, que são hip-hop a sério – nesse aspecto acho que podemos ter alguma importância. Mas não podemos dizer que fomos a primeira banda nem que fizemos o primeiro disco de hip-hop porque não é verdade.
JJ- O que fazemos é hip-hop Da Weasel.
E o que é hip-hop Da Weasel?
JJ – é um hip-hop que faz parte da base do hip-hop mas que depois viaja pelo hardcore, pelo rock, pelo reggae… Por aquilo que nos der na real gana. E não temos preconceitos absolutamente nenhuns em misturar o que for preciso - desde que seja realmente bom. E passamos com gosto – porque queremos que as coisa resultem genuinamente.
P – tal como o albúm do Andre3000 – The Love Below, dos Outkast já não pode ser considerado hip-hop, porque o ultrapassa. Tal como N.E.R.D…. Nós também estamos nessa Lina: partimos das mesmas bases mas vamos por outros caminhos.
1997 traz a primeira mudança de formação dos Da Weasel, com a saída de Yen Sun e a entrada de Virgul – descrevam a alteração que essa mudança provocou na vossa música?
JJ – Ganhámos…ganhámos o quê?
P – Musicalidade.
JJ – Ganhámos uma outra dimensão, por exemplo, ao vivo – que foi importantíssima. E abrimos a nossa música a mais áreas que podíamos explorar.
P – Ele canta – por isso, trouxe muito mais musicalidade às vozes. Não tínhamos praticamente nenhuma.
JJ – também trouxe sangue novo – ele era um puto, tinha 15 ou 16 anos quando entrou nos Da Weasel. Trouxe uma pureza, um sangue novo e muita garra, que foram muito importantes naquela altura. Além da musicalidade, da força e da expressão.
Em 1998, vocês abriram o concerto de Red Hot Chili Peppers, no Pavilhão Atlântico. Como foi experiência?
JJ – Foi uma experiência inesquecível.
Q – Todos crescemos a ouvir Red Hot…
JJ – E tínhamos o sonho de ver Red Hot Chili Peppers ao vivo…quanto mais abrir o concerto deles! Fazer a primeira parte desse concerto foi um sonho, ainda hoje não estou em mim.
Correu bem?
JJ – Correu muito bem - tivemos uma reacção muito boa do público(que era o nosso grande medo antes de subirmos ao palco). Foi mesmo inesquecível.
A saída de Armando Teixeira deveu-se a pura divergência entre estilo musicais ou houve algo mais que tenha conduzido á rotura?
P – Foi mesmo isso : diferenças musicais.
JJ – O que aconteceu – e é isto que interessa saber – é que chegamos a um determinado ponto em que não estávamos a ver nem a querer as mesmas coisas. Tudo aconteceu à parte das divergências musicais, fica entre nós.
O facto de se afirmarem como uma banda que não é exactamente hip-hop mas que mistura tudo fez com que não ficassem chateados quando o Podes Fugir Mas Não Te Podes Esconder foi apontado como os Da Weasel a venderem-se ao nu-metal ?
JJ – mas nós vendemo-nos ao nu-metal! Gostamos de nu-metal, de death metal, de rock pesado – e sempre gostamos, desde o primeiro dia.
P – Já fazíamos nu-metal antes dele existir como conceito. Por isso para nós é old metal.
JJ – Para todos que nos acusaram de nos termos vendido, aqui fica : nós vendemo-nos ao nu-metal. Porque o que lá está é genuinamente o que queríamos que saísse. Na altura, foi escolhido aquele single “Tas na Boa”. E, quando as pessoas diziam aos Da Weasel estavam nu-metal, a pergunta mais importante era: e conheces o álbum? Não , as pessoas conheciam o single. Escolhemos um tema rock para primeiro ssingle, mais nada… é evidente que há outros apontamentos, como há neste disco e como há no primeiro – “God Bless Johny” é o tema mais nu-metal que existe, sobretudo porque é de 1994.
Mas se vocês se venderam ao nu-metal, a coisa rendeu mais: com Podes Fugir…., chegaram pela primeira vez à marca do Disco de Ouro com Re-Definições chegaram à Platina – como é que encararam os galardões de vendas?
JJ – Os outros discos estiveram perto. Ultrapassaram a Prata e ficaram perto do Ouro, o Podes Fugir…ficou perto da platina. Sempre tivemos, ao vivo, uma multidão que não estava representada em vendas – o que acho que aconteceu com esses dois álbuns foi um acumular deste tempo todo em que tocamos bastante e em que semeamos a palavra. E acho que este galardões acabam por ser um reflexo disso: dos concertos que damos, das digressões que fazemos. Acho que, a partir de determinada altura, algumas canções dos Da Weasel permitiram chegar a um público mais vasto.
Q – A comunicação agora também é diferente: o público consegue absorver mais musica do que há cinco ou dez anos.
JJ – Através do nosso projecto, nunca fomos um grupo com presença habitual de rádio. Sinceramente, passamos em poucas rádios. O que conseguimos foi que, quem gosta realmente de nós, vai á nossa página, sabe tudo sobre nós. E isto começou de palavra em palavra, de boca em boca e com o pessoal a emprestar discos uns aos outros. Provavelmente foi assim que começou a crescer.
Vocês sentiram a altura em que as coisas mudaram?
JJ- ainda no outro dia estivemos a falar nisso: acho que um dos momentos mais importantes da nossa carreira foi termos chegado ao primeiro Disco de Prata. Porque nunca, nem nos nossos melhores sonhos, tínhamos pensado que isso seria possível. Nessa altura, achávamos que alguma coisa se estava a passar. Ter uma Prata com o 3º Capitulo - que é um dos nossos discos mais negros e mais pesados – foi um sinal claro de que alguma coisa se podia realmente passar connosco. O objectivo no disco seguinte era conseguir outra Prata.
Após 10 anos de muito trabalho e já algum sucesso deu-se um surto da doninha com o lançamento do Re-Definições. Como é que prevêem o vosso futuro?
JJ- Sinceramente, achávamos que era muito difícil igualar o sucesso do Podes Fugir… não era ?
Q – Era.
JJ- No entanto, tivemos cabeça suficiente para dar uma pausa e levar, sem pressão nenhuma as coisas para a frente. Não fomos para um estúdio XPTO nem nada – fomos para o campo, “bora trabalhar na descontra e vamos ver o que é que dá” . E é no que deu – por isso, acho que vamos fazer exactamente a mesma coisa, sem pânico, sem procurar. Acho que a única pressão que sentimos foi a nossa.
G – Sentem-se os discos vendidos mas, quando estamos a compor, acho que isso nos passa tudo ao lado. Não há qualquer tipo de responsabilidade: fazemos a musica de que gostamos.
Mas sentem por cima do ombro o olhar de milhares de pessoas que vos compraram os discos?
JJ- Talvez, mas encaramos isso de forma natural. Depois do sucesso do Re-Definições, do ano extraordinário que estávamos a ter, dos prémios da MTV, o nosso DVD é um exemplo de que nos estamos perfeitamente a cagar. Fizemos um DVD lo-fi, ás vezes muito core, precisamente para que as pessoas vejam que somos uma banda que vai ensaiar a um cubículo, que a nossa vida não é o glamour das estrelas do rock que chegam de limousine. A esta altura do campeonato, com este sucesso todo de Re-Definições, podíamos estar a lançar um DVD com uma mega-produção – mas optamos por fazer uma coisa mais terra-a-terra, sentimos necessidade de por um travão. E qunado todas as coisas tiverem que acontecer cheias de produção, acontecerão; mas se tiverem que acontecer à Johnny Guitar, vão acontecer assim – porque nos sentimos bem assim.
Como foi ganhar o prémio para Melhor Banda Portuguesa nos European Music Awards da MTV?
JJ – (risos) Para já, foi um orgulho imenso porque é um prémio atribuído por votação popular, quem nos deu o premio foram as pessoas.
Mas vocês têm sido acompanhados pela MTV: também foram a banda responsável pelo 1º MTV Live português.
G – Dá-nos orgulho e notoriedade. Em primeiro lugar, porque temos o privilégio de estar a trabalhar com a MTV; e depois por sentirmos que estão a reconhecer o nosso valor. Acho que isso é muito bom. Agora, se isso de alguma forma acaba por ser reflectir para fora… Acho que já será mais complicado e para nós não tem muito significado.
JJ – Recebemos mails e cartas de vários pontos do mundo – portanto, isto teve algum reflexo mas provavelmente por essas pessoas estarem em comunidades portuguesas. O que interessa é que essas pessoas nos disseram que os deixamos imensamente orgulhosos. é evidente que, se calhar, nesse tipo de circuito e com esse tipo de ramificações, isto pode ser muito importante. Mas, em termos de mercado internacional, acho bem que não. Acho que devemos ficar com os pés bem assentes na terra e não alucinar. Principalmente porque cantamos em português.
Depois do sucesso de Re-Definições, já começaram a trabalhar no próximo álbum?
JJ – Não. Este álbum nem sequer tem um ano…
Q – Já discutimos algumas coisas. Por vontade de uma parte da banda…
JJ – O próximo álbum sai lá para 2017(risos). Vamos começar a rodar no final deste mês o vídeo do terceiro single – que ainda não podemos revelar.
Acham que depois do sucesso do Re-Definições a carreira dos da Weasel tem tudo para ser descendente?
JJ – Essa pergunta é legitima e não posso fugir da hipótese de que tenha tudo para começar a ser descendente. Provavelmente, no próximo disco vendemos mil discos - mas pode não ser assim tão mau. Se for menos de Prata (10 mil exemplares) será, é o que tem que ser.
P- Desde que seja um bom disco.
G – Acima de tudo isso.
Qual foi o pior concerto dos Da Weasel, aquele em que tudo saiu mal?
Q – O pior concerto é aquele que ainda não aconteceu.
P - É aquele que vai acontecer quando chegarmos à fase descendente. Mas demos um numa discoteca na Figueira da Foz…
JJ – Fomos tocar a uma discoteca em que não deixavam entrar gajos de ténis nem de chapéu – estás a ver?! Da Weasel!?!? Foi surreal: estávamos a tocar com gajos de costas para o palco.
E o melhor?
P – O melhor ainda está para vir.
JJ – O concerto com os Red Hot foi muito bom. E mais pela reacção do publico do que propriamente pelo concerto em si; o último Sudoeste(em 2004), o 1º Vilar de Mouros (1996, em que tocamos no palco secundario, foi muito bom, concertos que demos no Johnny Guitar, com aquilo cheio até à… também não era muito difícil.
Q – No Hard Club.
JJ – No Ritz.
No texto que acompanha a divulgação dos concertos nos Coliseus, afirmam que o que querem “essencialmente é dar um mimo a todo o pessoal que nos acompanha desde sempre bem como aquele apareceu nos últimos anos. A eles e a nós próprios” – como vão afinal ser esses mimos?
P – É um bocado de festa de família. Acho que vamos conseguir fazer uma coisa no coliseu que é muito difícil fazer na estrada, apesar de não ter uma grande produção. Acho que vai passar muito pela pica com que estamos para irmos tocar.
Diz-se que o Coliseu de Lisboa tem uma mística importante. Vocês sentem isso?
JJ – Completamente. Acho que vai ser definitivamente, e tentando antecipar um bocado um dos momentos altos da nossa carreira.
Q – é a sala mais emblemática do país. E imensos artistas já pisaram aquele palco – a pessoa sente-se sempre um bocado assustada.
JJ –é o peso da história.
Qual foi o grande dom com que nasceram?
G – A música.
JJ - Tendo que falar por todos, sim, é a musica.
E quem é a nina?
G – São muitas.
P – A Nina é a pessoa que quem está ouvir quiser que seja.
Qual é a vossa posição em relação à liberalização das drogas leves?
P – Das drogas leves, claro. Eu sou completamente a favor.
JJ – E podemos falar por toda a banda.
Quais são as vossas referências musicais?
JJ – Vão do metal ao… ao quê?
Q – à pop.
P – Ouvimos tudo.
G – aos Carpenters
JJ – Sim: ouvimos tudo, dos Napalm Death aos Carpenters.
Q – Os Carpenters só ouve ele.
G – é de um extremo ao outro.
Qual a pergunta à qual não têm resposta?
Q – Essa.
P – Oh, pá, isso era o que eu ia responder.
Texto Ana Ventura
Fotos e capa: Luís Carvalhal
In BLITZ nº 1059
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Domingo, 09 Janeiro 2005
"Já dei passas para não ficar mal"
Sente-se um puto grande. Diz-se monogâmico, solteiro e bom rapaz. Mas não quer ser exemplo para ninguém. Está nos Da Weasel há 11 anos.
Olhado como filósofo urbano ou crítico social, PacMan é o rosto mais visível dos Da Weasel. Há 11 anos no grupo, rejeita ser líder juvenil, afiança ter tantos ou mais defeitos do que aqueles que assistem aos seus concertos. É de esquerda, já fumou charros para não ser considerado uma farçolas, gostava de ver o Governo mudar de cor e achou “um piadão” ver Santana Lopes como primeiro-ministro. Mas só nos primeiros dias.
Há 11 anos embarcou na aventura dos Da Weasel, com a alcunha de PacMan. O Carlos Nobre já não existe?
Algumas pessoas continuam a tratar-me pelo meu verdadeiro nome, em especial os meus pais, o meu irmão. Outros chamam-me Carlão, ou ‘Puto Pac’, mas é verdade que PacMan ficou mais do que qualquer outra alcunha.
Os seus pais continuam muito presentes?
Há alturas em que estou mais com eles, outras em que as digressões nos afastam. Curto-os muito e como ainda moro em Almada, e hei-de morar sempre, quando posso vou lá a casa.
Como encaram o sucesso dos Da Weasel?
Tenho a certeza de que ficam contentes e orgulhosos. Os velhotes são calmíssimos e, como todos os pais, querem ver os filhos bem. Gostam da musiqueta; mais a minha mãe, que foi muito importante, esteve sempre a dar ‘power’ e nunca me condicionou em relação à história do ‘quero que sejas aquilo, quero que sejas aqueloutro’.
Foi difícil cortar o cordão umbilical?
Em Portugal, tirando os putos que vão para a faculdade (que fica desterrada noutra zona), temos a mania de ficar em casa dos pais até aos 40. Para mim não houve problemas, aconteceu de forma natural. Precisava de ter o meu espaço, já não dava para estar lá.
Fala em viver sempre em Almada. Porque é que não quis desligar-se das raízes?
É uma coisa inexplicável. Nasci num daqueles bairros da rapaziada do café, que se juntava à noite a conversar, uma espécie de microcosmos. Mesmo o pessoal que deixou de morar naquela zona aparece sempre por lá, e se por um lado não sair dali pode ser redutor, por outro é uma âncora do caraças. Estão ali muitas das pessoas que às vezes te dão chapadas, que te põem na linha, que te despertam para a realidade, que realmente te conhecem. Quando faço uma letra é com elas que vou falar, porque não têm problemas em dizer que aquilo não vale nada, ou que está bom.
Como é ter de trabalhar com o seu irmão (baixista dos Da Weasel) durante tanto tempo?
Muito fixe. Eu amo o meu irmão e o facto de ele pertencer aos Da Weasel tem aspectos positivos e negativos. Quando nos aborrecemos é mesmo a sério, assim como quando acabamos um concerto fantástico vivemos as coisas de uma forma especial. É óptimo poder dar-lhe um grande abraço nessas alturas, saber que partilhou aquilo comigo.
O ano de 2004 foi o melhor de sempre para os Da Weasel?
Sim, se falarmos do sucesso junto do público, embora não possa ser separado do resto. Foi aquele em que houve um acumulado de várias cenas: discos vendidos, prémios, DVD. Noutros tocámos muito mais, como 2002, mas agora chegámos a um nível de exposição que nunca sonhávamos ser possível.
Como sentiu a passagem de uma banda de culto, urbana, para um grupo à escala nacional?
Foi estranho e ao mesmo tempo porreiro. Ver uma criança de seis ou sete anos num concerto a cantar é fabuloso, porque aquele é o ser mais puro que existe, não tem qualquer preconceito, faz aquilo apenas por gosto.
Ganhou uma noção do ‘país real’?
Sem dúvida. Às vezes estamos meio fora do contexto, calhamos num cartaz onde num dia toca o Emanuel, noutro os D’Arrasar, e ao terceiro aparecemos nós. Vamos lá e cumprimos como em qualquer outro lugar, até porque esse tal ‘país real’ ainda existe mas tem mudado muito. A rapaziada hoje tem toda Internet, MTV, aquelas coisas que não tinha, e domina a onda de Da Weasel, do hip hop.
O acesso à música portuguesa actual é um problema ultrapassado?
Em Portugal, sim, lá fora ainda não. Há uns tempos fui a França com o meu irmão, o Guto e o Boss AC, porque estávamos nomeados para um prémio de Melhor Intérprete de Hip Hop, atribuído por uma rádio franco--portuguesa. Aquilo tinha putos cheios de boa onda, com estilo rapper, de fato de treino e ténis, mas a meio da noite ouve-se anunciar o Tony Carreira e os gajos começam a passar-se, todos contentes. Achei estranhíssimo.
A que se deve tal fenómeno?
Ao facto de não terem acesso à música portuguesa recente. As editoras só tentam meter nas comunidades bandas tipo Delfins.
A internacionalização era o passo que queria dar este ano?
Gostava muito, até porque nas comunidades portuguesas isso faz todo o sentido. Acho bem que por lá comecem a ficar espertos e façam por isso, porque a segunda ou a terceira geração provavelmente já não curte tanto o Tony Carreira.
Ter um disco de platina altera muita coisa?
Não. Tivemos noção da nossa real dimensão quando fomos aos MTV Music Awards. Por exemplo, o Usher tem um disco de platina, mas o que ele consegue a nível de produção com essa fasquia dá quase para não fazer mais nada o resto da vida. Nós com a mesma marca conseguimos apenas um bom ano.
Dá para viver só disso?
Depende dos anos. Nos primeiros foi difícil, tinha de ter sempre uma merdinha paralela para ir busca algum, e ainda hoje acontece. Só dá para viver da música quando se está em alta, e ninguém consegue isso eternamente.
Que trabalhinhos arranja à margem?
Tem sempre algo a ver com duas áreas: escrita e música. Já tive colaborações para jornais, faço uma rubrica na rádio.
Vê-se como líder da juventude de hoje?
De forma nenhuma.
E, pelo menos durante o concerto, como agitador de massas?
Tento ter uma atitude descontraída e mostrar às pessoas que não sou nem mais nem menos do que elas. Apenas faço música. No outro dia estava a dar um concerto na MTV, não tinha cigarros e pedi um a alguém do público. Fumei na boa, sem a questão de ser ou não um mau exemplo, porque se eu sou músico provavelmente muita gente do público faz cenas fantásticas a outro nível. Se calhar tenho muito mais defeitos do que quem me vê em cima do palco, não posso ser modelo para ninguém. Houve uma altura em que ainda pensei se devia ou não fazer isto ou aquilo, mas depois caguei, tenho a minha vida.
É curioso que os Da Weasel tenham uma vertente política presente sem a ostentarem...
É verdade. Tem a ver com a nossa atitude, com a maneira de estar e de falar. Se calhar não vamos tão directos ao assunto, mas só a forma como nos apresentamos dá ideia daquilo que somos e sentimos. De resto, acho que há gajos que têm uma consciência política do caraças neste país, como o Valete, que tem um tema, ‘O Fim da Ditadura’, onde mostra os seus conhecimentos. Tenho a certeza de que aquela letra, destinada ao pessoal do hip hop, muitas vezes habituado a ouvir conversa de tanga, marcou muita gente.
Tem medo de, com letras intimistas, expor a sua vida?
Não, e lixo-me por causa disso.É complicado mostrar pedaços da minha vida e dar uma ideia daquilo que sou. Às vezes ficam com uma ideia errada de mim, só porque em determinada letra escrevi isto ou aquilo. Por exemplo, já deixei de fumar charutos há uns anos, mas como a questão das drogas está presente em várias canções de vez em quando depois de um concerto vem um gajo ter comigo a oferecer-me ganzas. Rejeito e gera-se ali a confusão, passo por farçolas porque as cenas já não são como eram. Até já dei umas passas por simpatia, só para não ficar mal.
Alguma experiência foi realmente negativa a esse nível?
Certa vez uma gaja chamou-me ‘sidoso’, sem me conhecer de lado nenhum, porque se calhar ouviu o ‘Remorso’ e pensou que ando com muitas tipas e tenho relações sem preservativo. Foi uma cena marada.
Como é que lida com o assédio das fãs?
Não costumo entrar em stress, sempre fui de apenas uma relação, quando até podia ser um putanheiro. Mas não. E custa-me esse tipo de merdas de virem ter comigo porque sou cantor. As pessoas quando se dirigem a mim estão a falar com um boneco que criaram, uma imagem ou ideal que não corresponde à realidade.
O documentário incluído no DVD serve para mostrar aquilo que são realmente?
Tem essa função, porque nós somos mesmo aquilo. Em alguns casos, como vomitar antes do concerto, até pensei que não deveria ser tão real, que há coisas que teria sido melhor não termos posto, porque quem as vê pode tirar ilações erradas.
Daqui a dez anos vai ter alguma nostalgia ao ver as imagens do DVD?
É capaz, e provavelmente vou rir de muita coisa que ali está. Imagino o que é que os U2 pensam ao verem o ‘Live Aid’; o Bono com aquele corte de cabelo, as calças para dentro das botas. Na altura nós éramos putíssimos e tripámos com aquela merda, e agora vemos aquilo de uma forma que até ficarmos arrepiados.
Eu já gostei dos Duran Duran
Também eu, e já perdi um bocado essa paranóia de esconder aquilo de que gostava só porque hoje parece piroso. Há muitas coisas que continuamos a gostar, por muito azeite que aquilo se tenha tornado. O Quaresma no outro dia comprou umas coisas de Iron Maiden em CD. Eu vinha a ouvir aquilo no carro, quando dei por mim a pensar que existem partes ali que já não dá, mas há outras que são muito boas.
Daqui a alguns anos é bem capaz de acontecer o mesmo com bandas novas que oiçam agora os Da Weasel
É pá, se isso acontecesse sentia-me muito orgulhoso. Por exemplo, deu-me uma grande alegria ouvir os Yellow W Van dizerem que as influências deles eram grupos como os Zen, Da Weasel e outras cenas ‘tugas’. Assim é que deve ser, tenho pena de isso não ter acontecido quando eu era puto, porque na maior dos casos as influências são sempre estrangeiras. Já é altura de termos orgulho naquilo que é nosso.
Tem noção de que apesar de novo construiu uma carreira na música portuguesa?
Já é uma carreirinha, mas no dia em que me derem um Prémio Carreira estou tramado, e espero que aconteça só daqui a dez anos. Posso dizer que o meu ideal é ter uma cena como os Xutos, que têm uma grande maneira de estar, ganharam o espaço deles, são respeitados.
Muita gente ainda olha para si como um ‘puto grande’?
Eu mesmo considero-me um ‘puto grande’. O Manel Cruz (ex-Ornatos Violeta) disse uma coisa brilhante no outro dia. A mãe ligou-lhe, perguntou se estava tudo bem e ele respondeu: “Sim, sim. Vim com o Carlão brincar cá para casa”. É daquelas frases que um gajo diz quando é criança, mas trata-se da mais pura realidade, de ir para casa dele trocar ideias, fazer uma musiqueta, beber umas cervejolas. É a nossa curte, a cena da infância já sem a brincadeira dos índios e ‘cowboys’, porque a música pode e deve ter esse lado de divertimento.
Sente-se um privilegiado por isso?
Se calhar tenho mais tempo para curtir, e faço aquilo que realmente gosto. Todas as pessoas deviam pensar assim, porque se não estão a anular-se, a seguir um caminho que escolheram e não gostam. O problema são as porcarias para pagar, a renda da casa, os filhos, que obrigam a continuar naquela rotina.
Apesar do estilo descontraído, tem alguma preocupação do ponto de vista monetário, de fazer um mealheiro para a reforma?
Há fases em que até me concentro Mas não, sou muito mau nessas coisas. Muita gente segue o lema ‘vive cada dia como se fosse o último’, e às vezes isso acontece um bocado comigo. Lixo dinheiro quando não o posso fazer, nos copos, nos jantares, nos filmes, nos discos, e não me concentro na cena do futuro. Que se lixe, um gajo está cá para aproveitar, nunca se sabe se alguma coisa corre mal. Mas também não sou aquele gajo de chegar ao fim do mês e não ter dinheiro para a renda da casa.
Junta a irreverência daquele puto grande à ideia de um tipo atento aos assuntos do quotidiano. Que análise faz da situação política portuguesa?
Sempre me identifiquei com os valores da esquerda e achei um piadão ver o Santana Lopes assumir o cargo de primeiro-ministro, porque aquilo não é mesmo a cena dele. Foi um alto erro de ‘casting’ e tenho pena de o Sampaio não ter tido coragem para logo na altura do abandono do Durão ter cortado com aquilo. Depois passámos por um ambiente muito mais estranho, até chegarmos agora àquela história de haver, ou não, coligação. Não me importava, sinceramente, que isto voltasse para a esquerda.
Como muita gente neste país, também tem uma visão desencantada da classe política?
A política é um meio tramado, e qualquer tipo que chegue àqueles cargos tem de ser automaticamente um pouco canalha, tem de dever favores, de entrar no esquema, mesmo que ao início existisse uma pureza de ideais.
Faz-me muita confusão ver alguém como o Portas no poder, ou como o Santana Lopes, que dantes assumia aquele lado de ‘bon vivant’. Hoje, quando está a falar, já nem é ele, e se calhar esta fase só foi boa enquanto experiência sociológica. Mas é melhor esquecê-la depressa.
O público dos Da Weasel é muito jovem. Que ideia faz da juventude actual?
Todas as gerações são mais ou menos iguais num aspecto: há quem tenha alguma coisa dentro da cabeça e também quem não tenha, que se esteja a cagar para tudo. Isso só depende da educação, mais nada, e muitas vezes foge-se da responsabilização dos pais, esquecemo-nos de que ‘a culpa não é do jardim, é do jardineiro’.
As referências ao ‘seu’ Benfica é que andam desaparecidas das letras
É verdade, fizemos uma há muito tempo, ainda o João Pinto jogava no Benfica, só que aquilo anda tão mal que até tenho ligado menos ao futebol. Preocupo-me mais em tentar resolver os meus problemas. Mas às vezes é um bom escape, e não tenho problemas em que o tema apareça nas canções.
Por: Pedro Neves
in CM, edição de 9 de Janeiro de 2005
(http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=145532&idCanal...
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Domingo, 23 Maio 2004
ESTAMOS MELHOR QUE NUNCA
Da Weasel comemoram dez anos de carreira e preparam-se para lançar o seu sexto álbum, ‘Re-Definições’. Os irmãos Pac (voz) e Jay (baixo) falam deste momento histórico, do disco, da nova formação e do futuro DVD.
Correio da Manhã – Os Da Weasel completam dez anos de história. Há razões para comemorar?
Jay – Não atribuo muita importância aos dez anos, acho que passaram num instante. Em contrapartida, acho que há razões para celebrar o facto de ainda estarmos cá e sobreviver num mercado destes. Num mercado onde, aparentemente, não havia espaço para nós, fomos construindo e consolidando uma carreira.
– Sentem-se uma referência na música portuguesa?
Jay – Acho que ganhámos o nosso espaço, sem dúvida.
– Quando começaram, pouco ou nada havia de hip-hop. Mas vocês sempre foram uma banda à margem do hip-hop
Pac – E foi sempre tudo natural. Somos muito mais do que hip-hop, ouvimos muito mais A nossa bagagem musical vem do hardcore, do punk, do heavy, do trash, do funk, do soul gostamos de tanta coisa que não seria sincero fazer outra coisa que não a música dos Da Weasel. A nossa música é aquilo que somos.
– Como é que nasceu o ‘Re-Definições’?
Pac – Teve as fases normais do processo de composição de um disco: a composição e a pré-produção na casa do Quaresma, depois, quando sentimos que as coisas já estavam mais ou menos seguras, arrancámos para Olhão, para o estúdio ZipMix, onde gravámos. Surgiu da vontade de fazer um disco novo, não diferente, mas com algumas coisas que tínhamos posto um pouco de lado.
– E durante a gravação do disco, decidiram abrir uma janela para os fãs
Jay – As bandas portuguesas têm uma dificuldade tremenda em penetrar nas listas das rádios nacionais, mas sabemos que o público está lá. Temos mercado e audiência. Uma maneira de controlar como chegar às pessoas é precisamente criando canais que possas controlar. E a Internet pareceu-nos um meio ideal e eficaz para entrar em contacto com as pessoas e mostrar o que temos, as novidades, as músicas, e chegar com mais facilidade às pessoas e contornar um problema que é grave e gritante. Tem sido uma ferramenta que tem dado resultados bem positivos e é também outra forma de estar em contacto permanente com as pessoas que gostam dos Da Weasel, sem problemas e directo.
– O site teve uma grande adesão?
Jay – Teve umas largas centenas de utilizadores registados, mas há aqueles que não se registam.
– O site serviu para chamar a atenção para a banda e ajudar a vender discos?
Pac – Também cumpre essa função, mas mais que tudo foi feito na perspectiva do fã. Somos músicos, mas também somos fãs. Se todas as minhas bandas favoritas fizerem este tipo de coisa, vou estar lá batido Aquilo que tentamos fazer nos Da Weasel é aquilo que gostamos que as bandas que admiramos façam.
– Falaram do problema da música portuguesa nas rádios. Os Da Weasel também o sentem?
Jay – É a música portuguesa, não são os Da Weasel. A música portuguesa devia ter mais espaço.
– Que diferenças há entre este álbum e o ‘Podes Fugir Mas Não te Podes Esconder’?
Jay – Todos os álbuns têm que ser necessariamente diferentes, porque quando compões podes ter uma experiência de vida diferente ou estar a passar um bom ou um mau momento e isso acaba por se reflectir na música. Este álbum não é só diferente do último, é diferente de todos os outros. ‘Re-Definições’ foi, sobretudo, um álbum mais calmo a ser feito, sem stresses. Com aquela ansiedade normal, mas com mais maturidade a fazer as coisas. Soubemos controlar melhor as gravações, a composição, e avaliar melhor o que realmente é bom, o que merece ou não estar. Acho que fomos mais velhos a trabalhar este disco.
– Como é que surgem os convidados?
Pac – Nunca houve nada idealizado.
Jay – O João Gomes encaixava naturalmente nos temas. Foi sempre um músico com quem gostámos de trabalhar e sempre que há aquele tipo de ambientes, é a pessoa ideal para participar e para dar o contributo que só ele consegue dar. Mas no caso do Manel Cruz, depois do meu irmão ter ouvido o tema achou que era a pessoa ideal. No caso da Anabela também, pois precisávamos de uma voz como a dela para poder dar corpo ao conteúdo do texto.
– A banda tem agora seis elementos. O que é que a entrada do DJ Glue trouxe aos Da Weasel?
Jay – Acho que está melhor do que nunca. Ele entrou no início da tournée do ‘Podes Fugir ’, ou seja, apanhou uma estopada de concertos que tirou logo o mestrado (risos). Vinha sem vícios, não sabia o que era a estrada, e trouxe um sangue novo, uma pureza e uma maneira de ver as coisas muito positiva. Ainda bem que está na banda, porque veio dar uma nova ingenuidade à estrada. Depois de dez anos de concertos é porreiro começarmos a rir outra vez e a fazer disparates E ao vivo veio dar um ‘input’ muito forte.
– Mas sentiram a necessidade de entrar mais um elemento, principalmente após a saída do Armando Teixeira?
Jay – Sentimos foi falta de fazermos coisas novas e diferentes.
Pac – São duas coisas completamente diferentes. O trabalho que o Armando fazia basicamente o Quaresma faz agora.
Jay – O DJ Glue, ao vivo, é uma pessoa muito mais interventiva. Neste momento, o concerto dos Da Weasel passa, em muitas ocasiões, pelo DJ Glue.
Pac – E temos que começar já acalmá-lo, porque ele está a querer mandar nisto tudo (risos). Ele veio dar um ritmo bastante diferente aos concertos.
– Afirmaram que “voltaram a rir” na estrada. A vossa relação estava complicada?
Jay – Não. Felizmente os Da Weasel são uma família, e posso dize-lo desta forma, há sete anos. Temos a trabalhar connosco exactamente as mesmas pessoas, o mesmo técnico de frente, o mesmo técnico de luzes Somos uma família, já sabemos as todas as manhas uns dos outros, o que é extremamente positivo e, em termos de saúde mental, faz muitíssimo bem ter este grupo coeso. É evidente que quando vem um ‘rookie’ e ainda por cima com um espírito brincalhão as coisas animaram. É sempre bom quando aparece alguém novo e com um espírito genuíno e puro. Foi muito bom que ele se tivesse juntado à banda.
– Como é que são os Da Weasel agora ao vivo?
Pac – Estamos com muita vontade de tocar o disco novo. A atitude da banda mantém-se. Temos ensaiado um bocado e acho que estamos com um espírito descontraído.
– Quais são as vossas expectativas?
Jay – As reacções mais difíceis de conseguir são sempre as das pessoas que nos estão mais próximas e, até agora, este tem sido o álbum que tem reunido mais consenso. Temos recebido ‘good vibes’ e nesse capítulo estamos hiper-contentes. Agora, tudo o que vier para além disso é bom, porque a carreira dos Da Weasel tem sido pautado por isso, sem grande metas a atingir. Nós gostámos do que fizemos e estamos hiper-contentes com o trabalho.
– A digressão já está programada?
Jay – Há um esboço, mas ainda é um pouco cedo. Vem aí o Euro e outros grandes eventos e quando esta poeira toda assentar poderemos ter uma ideia mais específica do que irá acontecer. De qualquer forma, já temos alinhavada uma boa indicação de tournée, já temos algumas datas e dá para ter uma ideia que vai ser um ano, à partida, muito positivo.
– Está programado um concerto de apresentação do álbum?
Jay – Não há previsão nesse sentido. Mas para o final do ano está previsto um DVD e iremos apresentar, ao vivo, um formato especial. É uma ideia que ainda está a ser alinhavada, mas é uma coisa garantida lá para o final do ano.
– O que vamos ver no DVD?
Jay – Vai ter um pouco de tudo.
– O espectáculo para o DVD terá uma forte componente cénica?
Jay – É uma coisa que está a ser muito bem pensada. Queremos mostrar o melhor que há em nós e vai ser tudo pensado ao pormenor.
– Os Da Weasel são, sobretudo, uma banda de palco. Para quando um disco ao vivo?
Pac – Ainda somos muito novos para isso.
Jay – Talvez quando fizermos 60 anos de carreira (risos).
Pac – A falta que sentimos em relação a isso vai ser compensada com o DVD. Algumas pessoas não conseguem ver os Da Weasel ao vivo e achamos que é uma parte fundamental do nosso trabalho e, com o DVD, ele vai estar presente.
Jay – Até pode ser para o ano, mas não pensamos muito nisso. Quando tiver que ser, é e será de forma hiper-natural. Não é uma coisa que tenhamos como prioridade ou na agenda.
PERFIL
Os Da Weasel são uma das melhores e mais reconhecidas bandas nacionais. Formados por Pac e Virgul (vozes), Jay (baixo), Quaresma (guitarra), Guilherme (bateria) e DJ Glue (pratos), contam no currículo com cinco discos editados e o sexto, ‘Re-Definições’, a sair amanhã.
A história do sexteto começou a ser escrita em 1994, ano em que lançou o EP ‘More Than 30 Motherf****s’. Principal responsável por tornar visível no nosso País o hip-hop, o grupo nunca se fixou no estilo, cruzando ainda rock, funk, soul ou heavy, apenas para citar alguns. Apesar do sucesso em disco, é nos espectáculos ao vivo que a banda revela a sua garra e energia.
Por: Marco Pereira
in CM, edição de 23 de Maio de 2004

Os Da Weasel estão a preparar o lançamento de um DVD para o final do ano
(http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=110719&idCanal...
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