Domingo, 25 Fevereiro 2007
Visita Guiada
Já não me lembro muito bem quando é que me lembrei do termo Almada Cru. Lembro-me sim de ter pedido a uma amiga para me fazer um 'logo' ou arranjar uma fonte bem 'fat' para poder imprimir as palavras numa t-shirt para usar num concerto. O trocadilho com a palavra importada 'crew' (bando ou, nalguns casos, gang) – que se quer jocoso, já que não tenho nenhum – dá espaço para muita coisa no meu imaginário. Não me consigo dissociar da cidade onde cresci e que me muito tem crescido nos últimos anos, e há de facto uma certa "crueza" em Almada – não num sentido mau da palavra, mais numa certa pureza de sentimentos e actos em que me revejo totalmente. É um pouco difícil explicar – a minha namorada alfacinha que o diga, ainda está a tentar digerir o facto de eu ir tatuar o Cristo Rei com as mesmas palavras – mas inevitável sentir.
Durante esta semana aconteceu um episódio caricato e assustador a um tempo, no Festival de Glasgow, Escócia. Cláudia Dias, no espectáculo de dança contemporânea 'Visita Guiada' onde descreve o quotidiano na Margem Sul, usa um cigarro como parte da performance. Num país onde a proibição de fumar em tudo o que é sítio é quase fascizante e nomes como Keith Richards dos Rolling Stones foram severamente multados por fumar num palco, a Cláudia decidiu não excluir da sua peça um elemento que diz ser fundamental, ainda para mais pela razão apresentada, sob a pena de não poder fazer o espectáculo. E assim foi. Numa entrevista à SIC disse "quando a concessão é no sentido de uma castração, nós, artistas, temos a responsabilidade e temos que ter a sensibilidade para a questão política, e devemos dizer não." E muito bem, digo eu. Directamente da minha querida cidade, Cláudia e 'Visita Guiada' seguem para Barcelona, Atenas e Lille, de consciência tranquila. Almada Cru? Obviamente.
in Revista Domingo, 25 de Fevereiro de 2007
14:45 Escrito em Cronica do Pac - Revista Domingo | Permalink | Comentários (1) | Enviar por e-mail
Domingo, 29 Outubro 2006
Acordar
"Divulgar a cena musical portuguesa, elogiando a sua diversidade. Canalizar o resultado financeiro para uma instituição (Pediatria do IPO Lisboa). Alertar para a constante mutação tecnológica que envolve a divulgação da música popular. Criar um conceito que tenha carácter unificador para uma verdadeira legião de músicos de estéticas e geografias diferentes". São estes os quatro objectivos dos membros do projecto 'Acorda!', que num só disco reúne sessenta grupos/bandas/projectos (com dois temas cada), perfazendo um total de cerca de oito horas de música em formato MP3. Dos Vicious Five aos Micro Audio Waves, dos Nigga Poison aos Buraka Som Sistema, 'Acorda!' é uma amostra bem significativa da melhor música 'alternativa' (leia-se: sem edição ou com edição de autor/independente) que por cá se faz. Todos os músicos abdicaram dos seus direitos autorais e os lucros das vendas revertem directamente a favor do serviço de Pediatria do IPO. À frente do leme está o radialista Henrique Amaro (Antena 3), provavelmente a pessoa que mais tem vindo a lutar pela promoção dos novos talentos da música nacional, em quase todas as suas vertentes, sendo responsável pela 'descoberta' de muitos projectos bem sucedidos. Aliando duas paixões, a música e as crianças – Henrique Amaro tem o curso de Educador de Infância – o radialista criou um projecto digno e edificante para ambas. O contrário desse programa televisivo que dá pelo nome de 'Canta Por Mim'. Acredito que os músicos e actores se tenham envolvido no projecto TVI com a melhor das intenções, mas quando a ética do canal...vejam por vocês próprios, ou melhor ainda, não vejam. 'Acorda!' está à venda nos sítios especializados e podem aceder a informação mais detalhada em www.discoacorda.com. Tá na hora de acordar, people...com estes vale a pena cantar.
in Revista Domingo, 29 de Outubro de 2006
01:10 Escrito em Cronica do Pac - Revista Domingo | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
Domingo, 15 Outubro 2006
Chocolates
Chocolate, Castanho, preto, não tão preto, branco, de leite, com amêndoas, mas sem passas, definitivamente...Gosto. De chocolate. E da palavra. De usar e abusar dela numa série de diferentes situações, com vários significados. Acho que a primeira vez que ouvi com um sentido diferente deve ter sido no secundário: era outro sinónimo para "haxe", "chamon" (porra, já ninguém diz isso...). Daí para a frente, já ouvi – e usei – a palavra num sem-número de diferentes ocasiões.
Uma antiga paixão, por exemplo, costumava tratar-me carinhosamente por "brigadeiro". Ok, ok, ela acrescentava-lhe um "deslavado", mas ainda assim era um brigadeiro. Na música também as referências são mais que muitas, no jazz, r&b, soul, e, como não podia deixar de ser, no hip-hop, associando metaforicamente a doçura, côr e gulodice à própria música, a quem a faz, e, inevitavelmente, ao sexo.
De momento estou em Cabo verde, numa terra onde não faltam vários tipos de chocolate, e dos bons. Da música às meninas passando por uma ou outra coisa mais. A ideia era fugir da tuga para um sítio calmo e quente, a fim de trabalhar o máximo possível nas letras do próximo disco. Que sítio melhor do que aquele onde fui concebido, onde estão as raízes da família? E a coisa até tem corrido conforme o planeado, na descontra, sem stresses nem pressas, claro, não tivesse eu onde estou.
Agora com tantas variante possíveis. Acabei por ter que papar uma coisa de que não estava à espera: o chamado chocolate de bola. Ainda por cima da Polónia.
O Sr. Scolari demorou tempo demais para pôr em campo quem mais chocolate de bola tem dado no futebol português, num jogo em que bem precisávamos, já que os habituais "chocolateiros" de serviço (Ronaldo, Deco, Simão) tavam sem feeling algum, e acabámos nós por levar um daqueles... Vai um Kit-Kat, mister?
in Revista Domingo, 15 de Outubro de 2006
01:10 Escrito em Cronica do Pac - Revista Domingo | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail