Segunda, 02 Abril 2007

Escárnio Da Weasel, desta vez com estrelas

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Pac man, vocalista, letrista e figura central dos Da Weasel

 

 

No interior das instalações da editora EMI é expressamente proibido fumar. Mas numa das salas com vista para o Oceanário de Lisboa, os Da Weasel abrem as janelas e acendem cigarros despreocupadamente enquanto esvaziam latas de Super Bock às cinco da tarde - as latas vazias viram cinzeiros. Ao lado da banda, as mesas estão cheias de centenas (milhares?) de capas do novo disco. E os músicos passaram a tarde a rabiscar autógrafos.

Aquele que é o sexto álbum original da banda chega hoje às lojas e intitula-se "Amor, escárnio e maldizer". Pacman esclarece os seus hábitos de leitura não passam por poesia medieval portuguesa, "a não ser aquela que todos já lemos na escola". A explicação para o título do disco está aqui: "Esses três temas da cena histórica continuam intemporais. O escárnio e o maldizer são uma coisa muito própria de Portugal e de Espanha", prossegue o vocalista. "Apenas fazemos a transposição para a actualidade".

"Tu és Nigga?"

Outros que também o fazem - e fazem-no melhor ninguém - são os quatro Gato Fedorento. É por isso que os humoristas são convidados do disco. "Eles cumprem bem a função do escárnio e maldizer e são os gajos que hoje mais parodiam e gozam com a sociedade e com os políticos", aponta Pacman. "Passamos-lhes a letra de um tema e pedimos-lhe um 'skit'", revela o cantor do penteado rastafari sofisticado. O hilariante 'skit' intitula-se "Ó Nigga, tu és nigga, Nigga?" e antecede a faixa "Niggaz", na qual Pacman tenta abrir os olhos a uma certa juventude que pouco ou nada mais faz do que fumar tarolos enquanto aglotina tiques do hip-hop. Pac Man canta "Caga lá no 50 Cent, pára e sente, usa a mente, tu és/ diferente/ tá na hora de seguir em frente ouve o meu refrão isto é urgente/ cala a boca, Nigga/ fica esperto Nigga/ Orienta a vida/ e segue em frente Nigga".

As colaborações para este disco não se ficam por aí. Escassos meses após os espectáculos com a Orquestra Sinfónica, a banda voltou a chamar o maestro Rui Massena para nova aventura gravar, em estúdio, três faixas com Orquestra. Desta vez, os Da Weasel recorreram à Orquestra Sinfónia de Praga, viajando para a capital da República Checa. O que os levou a gravar no estrangeiro? A razão mais simples: economizar dinheiro. "Gravar com uma orquestra é muito mais barato lá", avisa o baixista João Nobre. "Eles têm vários estúdios próprios para gravações com orquestras ao passo que cá teríamos que adaptar uma sala".

O resto do disco - 18 faixas - foi gravado num estúdio em Olhão, no Algarve. Os Da Weasel entraram com a maioria das composições escritas e em Janeiro registaram tudo. Pelo meio, apareceu outra surpresa o pianista Bernardo Sassetti. "Surgiu um tema com piano que quisemos entregá-lo ao Sassetti", lembra o baixista. "Ele aceitou quase de imediato". O rol de convidados continua: o jamaico-americano Atiba, o escritor José Luís Peixoto (letra de "Negócios Estrangeiros") e Buraka Som Sistema (remistura de "Dialectos").

"Situação incontrolável"

Numa época em que as editoras vivem tempos de crise e incerteza face às cópias ilegais e aos downloads, os Da Weasel têm, pelo menos até agora, consolidado a sua posição no mercado o disco anterior ("Re-definições") vendeu quatro platinas (acima de 80 mil unidades). João Nobre vê tudo com lucidez: "Foi uma situação atípica; o que fazemos é muito dirigido a malta que copia música". Pacman corrobora: "A Floribella e os 4Taste ultrapassaram as vendas porque quem os ouve não são gajos com idades para sacar discos - são crianças de 5 ou 6 anos. São os pais que lhes compram os discos".

Resta saber se o mesmo acontecerá com "Amor, Escárnio e Maldizer", até porque actualmente proliferam os leitores portáteis de mp3 - uma abundância claramente superior à da altura de "Re-definições". Apesar de terem noção de que se trata de "um fenómeno incontornável e incontrolável", nada parece inquietar a banda "A única coisa que nos preocupa é fazer um bom disco. E a única pressão que sentimos passa por aí: por trabalharmos e aplicarmo-nos".

Cristiano Pereira

in Jornal de Notícias

Comentários

album excelente...so musicas brutais...biju

Escrito por: ana | Quinta, 16 Agosto 2007

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