Terça, 06 Dezembro 2005
Um presente para os nossos fãs
Em apenas um ano os Da Weasel ‘redefiniram’ a sua posição no cenário musical português e hoje são uma das mais populares bandas nacionais, como se pode conferir no disco ‘Ao Vivo Coliseus’. Em entrevista ao CM, os músicos Pacman e Nobre sintetizam a “temporada espectacular” e o significado do álbum ao vivo.
Correio da Manhã – Este disco ao vivo é o culminar do período de maior crescimento dos Da Weasel. Foi o Prémio MTV (no final de 2004), os discos de platina, os Coliseus, o concerto em Paris... É a ‘coroa de glória’ para a banda?
João Nobre – O disco vem na sequência de uma temporada espectacular, mas a sua edição acontece porque corresponde a momentos muito importantes na nossa carreira. Esgotar dois coliseus não acontece muitas vezes e principalmente porque foi um ambiente fantástico que tivemos naquelas salas. Daí que seria um desperdício enorme as gravações ficarem na prateleira. Este disco é mais um presente para os nossos fãs do que o culminar de uma caminhada.
Pacman – Nós próprios estávamos muito relutantes em editar isto, mas depois de ouvirmos o resultado achámos que valia mesmo a pena. Por nós só fazíamos isto daqui a uns tempos, mas foi um ‘feeling’ tão fixe quando ouvimos as canções, a participação do pessoal, o som, e foi um momento tão importante que decidimos avançar.
Ao longo deste ano ‘gordo’ o que vos deu mais gozo?
Pacman – Para mim, das coisas que me deram mais prazer foi ir tocar a Vila Verde, Braga, que não tem praticamente nada, e teres milhares de pessoas à espera, para cima de cinco mil. Foi esse tipo de concertos. Este ano tocámos bastante (mais de 90 concertos), em sítios que quase não vêm no mapa e tínhamos uma imensidão de pessoas à frente. Para mim este ano fica marcado por isso, conseguimos tocar em franjas de público que ainda não alcançáramos.
Contavam com tamanha adesão do público?
João Nobre – Começámos numa altura em que este género de música era ultramarginal, naquele sentido de ser uma linguagem nova, estranha e ainda por cima cantada em português. Mas fomos crescendo devagar, nunca alimentámos grandes expectativas em relação à nossa carreira. Estamos aqui porque gostamos de música, sempre fizemos aquilo de que gostamos e a nossa postura na música sempre foi essa, um pouco relaxada, fazer o que gostamos. E nunca dissemos que qualquer disco tinha de atingir esta ou aquela meta. Quando o ‘3.º Capítulo’ chegou a Prata (e eram dez mil exemplares na altura) sentimos que qualquer coisa podia acontecer com os Da Weasel. Depois foram pequenos ‘forwards’ que foram acontecendo.
Mas dai às quatro platinas vai uma grande distância. Foi uma surpresa total...
João Nobre – Já a prata do ‘3.º Capítulo’ o foi. E ainda bem que as coisas aconteceram assim, porque a gravação do ‘Redefinições’ aconteceu de uma forma relaxada, sem pressões de qualquer espécie. Demos o nosso melhor e, se calhar, fomos recompensados por isso.
E este sucesso, esta exposição, não vos coloca sob maior pressão?
Pacman – Não. A mim ainda me espicaça mais [risos].
As vossas letras conseguem aliar diversão com reflexão. Acham que o hip-hop pode ser uma linguagem de integração social?
Pacman – Em Portugal ainda pode ser, porque se lá fora o hip-hop já se mandou para outras direcções, cá, que ainda vamos numa fase de crescimento, ainda se vive muito disso e atrevo-me a dizer que actualmente as melhores letras que se fazem em Portugal são, de facto, as que vêm do hip-hop e géneros que lhe estão ligados. Em termos de letras é um cenário muito pobre aquele que se vive em Portugal. Se por um lado se tem boas ‘malhas’, com produções irrepreensíveis, etc, na parte das letras deixam um pouco a desejar e nesse aspecto acho que há pessoas a fazer coisas bem mais interessantes ligadas ao hip-hop, mesmo que não seja o convencional, como o Kalaf faz com o ‘1 Uik Project’, que não é hip-hop, mas é uma linguagem parecida e aí já há outra riqueza, uma preocupação com as palavras e o aspecto social.
E depois do disco ao vivo. O que se segue?
João Nobre – Já estamos um pouco de férias e vamos estar um pouco no Inverno. Depois vamos começar a pensar em compor, entrar em fase criativa que deverá resultar num novo disco de originais, que só sairá no final de 2006. Vai ser portanto um misto de férias, concertos e criação.
PERFIL
Os Da Weasel nascem no início dos anos 90, em Almada, e o primeiro registo de estúdio chega em 1994. O inglês era então a língua escolhida e ‘More Than 30 Motherf*’ revela-se um explosivo coktail hardcore-rock-hip-hop-metal. Foi sol de pouca dura, já que no ano seguinte os Da Weasel edita o álbum de estreia já em português, ‘Dou-lhe com a Alma’. A partir de então, e com o hip-hop como matriz, ‘a doninha’ lançou mais três álbuns que foram cimentando a popularidade da banda. Foram eles: ‘3.º Capítulo’ (‘97), ‘Iniciação a Uma Vida Banal - O Manual’ (‘99), ‘Podes Fugir Mas Não Te Podes Esconder’ (’01) e ‘Re-Definições’, (’04).
Luís F. Silva
in CM
15:10 Escrito em Entrevistas | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
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