Domingo, 23 Maio 2004
ESTAMOS MELHOR QUE NUNCA
Da Weasel comemoram dez anos de carreira e preparam-se para lançar o seu sexto álbum, ‘Re-Definições’. Os irmãos Pac (voz) e Jay (baixo) falam deste momento histórico, do disco, da nova formação e do futuro DVD.
Correio da Manhã – Os Da Weasel completam dez anos de história. Há razões para comemorar?
Jay – Não atribuo muita importância aos dez anos, acho que passaram num instante. Em contrapartida, acho que há razões para celebrar o facto de ainda estarmos cá e sobreviver num mercado destes. Num mercado onde, aparentemente, não havia espaço para nós, fomos construindo e consolidando uma carreira.
– Sentem-se uma referência na música portuguesa?
Jay – Acho que ganhámos o nosso espaço, sem dúvida.
– Quando começaram, pouco ou nada havia de hip-hop. Mas vocês sempre foram uma banda à margem do hip-hop
Pac – E foi sempre tudo natural. Somos muito mais do que hip-hop, ouvimos muito mais A nossa bagagem musical vem do hardcore, do punk, do heavy, do trash, do funk, do soul gostamos de tanta coisa que não seria sincero fazer outra coisa que não a música dos Da Weasel. A nossa música é aquilo que somos.
– Como é que nasceu o ‘Re-Definições’?
Pac – Teve as fases normais do processo de composição de um disco: a composição e a pré-produção na casa do Quaresma, depois, quando sentimos que as coisas já estavam mais ou menos seguras, arrancámos para Olhão, para o estúdio ZipMix, onde gravámos. Surgiu da vontade de fazer um disco novo, não diferente, mas com algumas coisas que tínhamos posto um pouco de lado.
– E durante a gravação do disco, decidiram abrir uma janela para os fãs
Jay – As bandas portuguesas têm uma dificuldade tremenda em penetrar nas listas das rádios nacionais, mas sabemos que o público está lá. Temos mercado e audiência. Uma maneira de controlar como chegar às pessoas é precisamente criando canais que possas controlar. E a Internet pareceu-nos um meio ideal e eficaz para entrar em contacto com as pessoas e mostrar o que temos, as novidades, as músicas, e chegar com mais facilidade às pessoas e contornar um problema que é grave e gritante. Tem sido uma ferramenta que tem dado resultados bem positivos e é também outra forma de estar em contacto permanente com as pessoas que gostam dos Da Weasel, sem problemas e directo.
– O site teve uma grande adesão?
Jay – Teve umas largas centenas de utilizadores registados, mas há aqueles que não se registam.
– O site serviu para chamar a atenção para a banda e ajudar a vender discos?
Pac – Também cumpre essa função, mas mais que tudo foi feito na perspectiva do fã. Somos músicos, mas também somos fãs. Se todas as minhas bandas favoritas fizerem este tipo de coisa, vou estar lá batido Aquilo que tentamos fazer nos Da Weasel é aquilo que gostamos que as bandas que admiramos façam.
– Falaram do problema da música portuguesa nas rádios. Os Da Weasel também o sentem?
Jay – É a música portuguesa, não são os Da Weasel. A música portuguesa devia ter mais espaço.
– Que diferenças há entre este álbum e o ‘Podes Fugir Mas Não te Podes Esconder’?
Jay – Todos os álbuns têm que ser necessariamente diferentes, porque quando compões podes ter uma experiência de vida diferente ou estar a passar um bom ou um mau momento e isso acaba por se reflectir na música. Este álbum não é só diferente do último, é diferente de todos os outros. ‘Re-Definições’ foi, sobretudo, um álbum mais calmo a ser feito, sem stresses. Com aquela ansiedade normal, mas com mais maturidade a fazer as coisas. Soubemos controlar melhor as gravações, a composição, e avaliar melhor o que realmente é bom, o que merece ou não estar. Acho que fomos mais velhos a trabalhar este disco.
– Como é que surgem os convidados?
Pac – Nunca houve nada idealizado.
Jay – O João Gomes encaixava naturalmente nos temas. Foi sempre um músico com quem gostámos de trabalhar e sempre que há aquele tipo de ambientes, é a pessoa ideal para participar e para dar o contributo que só ele consegue dar. Mas no caso do Manel Cruz, depois do meu irmão ter ouvido o tema achou que era a pessoa ideal. No caso da Anabela também, pois precisávamos de uma voz como a dela para poder dar corpo ao conteúdo do texto.
– A banda tem agora seis elementos. O que é que a entrada do DJ Glue trouxe aos Da Weasel?
Jay – Acho que está melhor do que nunca. Ele entrou no início da tournée do ‘Podes Fugir ’, ou seja, apanhou uma estopada de concertos que tirou logo o mestrado (risos). Vinha sem vícios, não sabia o que era a estrada, e trouxe um sangue novo, uma pureza e uma maneira de ver as coisas muito positiva. Ainda bem que está na banda, porque veio dar uma nova ingenuidade à estrada. Depois de dez anos de concertos é porreiro começarmos a rir outra vez e a fazer disparates E ao vivo veio dar um ‘input’ muito forte.
– Mas sentiram a necessidade de entrar mais um elemento, principalmente após a saída do Armando Teixeira?
Jay – Sentimos foi falta de fazermos coisas novas e diferentes.
Pac – São duas coisas completamente diferentes. O trabalho que o Armando fazia basicamente o Quaresma faz agora.
Jay – O DJ Glue, ao vivo, é uma pessoa muito mais interventiva. Neste momento, o concerto dos Da Weasel passa, em muitas ocasiões, pelo DJ Glue.
Pac – E temos que começar já acalmá-lo, porque ele está a querer mandar nisto tudo (risos). Ele veio dar um ritmo bastante diferente aos concertos.
– Afirmaram que “voltaram a rir” na estrada. A vossa relação estava complicada?
Jay – Não. Felizmente os Da Weasel são uma família, e posso dize-lo desta forma, há sete anos. Temos a trabalhar connosco exactamente as mesmas pessoas, o mesmo técnico de frente, o mesmo técnico de luzes Somos uma família, já sabemos as todas as manhas uns dos outros, o que é extremamente positivo e, em termos de saúde mental, faz muitíssimo bem ter este grupo coeso. É evidente que quando vem um ‘rookie’ e ainda por cima com um espírito brincalhão as coisas animaram. É sempre bom quando aparece alguém novo e com um espírito genuíno e puro. Foi muito bom que ele se tivesse juntado à banda.
– Como é que são os Da Weasel agora ao vivo?
Pac – Estamos com muita vontade de tocar o disco novo. A atitude da banda mantém-se. Temos ensaiado um bocado e acho que estamos com um espírito descontraído.
– Quais são as vossas expectativas?
Jay – As reacções mais difíceis de conseguir são sempre as das pessoas que nos estão mais próximas e, até agora, este tem sido o álbum que tem reunido mais consenso. Temos recebido ‘good vibes’ e nesse capítulo estamos hiper-contentes. Agora, tudo o que vier para além disso é bom, porque a carreira dos Da Weasel tem sido pautado por isso, sem grande metas a atingir. Nós gostámos do que fizemos e estamos hiper-contentes com o trabalho.
– A digressão já está programada?
Jay – Há um esboço, mas ainda é um pouco cedo. Vem aí o Euro e outros grandes eventos e quando esta poeira toda assentar poderemos ter uma ideia mais específica do que irá acontecer. De qualquer forma, já temos alinhavada uma boa indicação de tournée, já temos algumas datas e dá para ter uma ideia que vai ser um ano, à partida, muito positivo.
– Está programado um concerto de apresentação do álbum?
Jay – Não há previsão nesse sentido. Mas para o final do ano está previsto um DVD e iremos apresentar, ao vivo, um formato especial. É uma ideia que ainda está a ser alinhavada, mas é uma coisa garantida lá para o final do ano.
– O que vamos ver no DVD?
Jay – Vai ter um pouco de tudo.
– O espectáculo para o DVD terá uma forte componente cénica?
Jay – É uma coisa que está a ser muito bem pensada. Queremos mostrar o melhor que há em nós e vai ser tudo pensado ao pormenor.
– Os Da Weasel são, sobretudo, uma banda de palco. Para quando um disco ao vivo?
Pac – Ainda somos muito novos para isso.
Jay – Talvez quando fizermos 60 anos de carreira (risos).
Pac – A falta que sentimos em relação a isso vai ser compensada com o DVD. Algumas pessoas não conseguem ver os Da Weasel ao vivo e achamos que é uma parte fundamental do nosso trabalho e, com o DVD, ele vai estar presente.
Jay – Até pode ser para o ano, mas não pensamos muito nisso. Quando tiver que ser, é e será de forma hiper-natural. Não é uma coisa que tenhamos como prioridade ou na agenda.
PERFIL
Os Da Weasel são uma das melhores e mais reconhecidas bandas nacionais. Formados por Pac e Virgul (vozes), Jay (baixo), Quaresma (guitarra), Guilherme (bateria) e DJ Glue (pratos), contam no currículo com cinco discos editados e o sexto, ‘Re-Definições’, a sair amanhã.
A história do sexteto começou a ser escrita em 1994, ano em que lançou o EP ‘More Than 30 Motherf****s’. Principal responsável por tornar visível no nosso País o hip-hop, o grupo nunca se fixou no estilo, cruzando ainda rock, funk, soul ou heavy, apenas para citar alguns. Apesar do sucesso em disco, é nos espectáculos ao vivo que a banda revela a sua garra e energia.
Por: Marco Pereira
in CM, edição de 23 de Maio de 2004

Os Da Weasel estão a preparar o lançamento de um DVD para o final do ano
(http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=110719&idCanal...
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