Sábado, 01 Janeiro 2000

|Re-Definições|

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2. Força (uma página de história)

Tás a sentir
Uma página de história
Um pedaço da tua glória
Que vai passar breve memória
Tamos no pico do verão mas chove
Por todo o lado
Levo uma de cada
Já tou bem aviado
Cuspo directo no caderno
Rimas saídas do inferno
Que passei à tua pala
Num tempo que pareceu eterno
Tou de cara lavada
Tenho a casa arrumada
Lembrança apagada
Duma vida quase lixada

Passeio na praia
Atacado pelos clones
São tantos iguais
Sem contar com os silicones
Olho para o céu
Mas toda a gente foi de férias
Apetece-me gritar
Até rebentar as artérias

[REFRÃO 4x:]
(Respiro fundo)
E lembro-me da força
(Guardo dentro do meu corpo)
Espero que ela ouça

Todo o amor deste mundo
Perdido num segundo
Todo o riso transformado
Num olhar apagado
Toda a fúria de viver
Afastada do meu ser
Até que um dia acordei
E vi que estava a perder
Toda a força que cresceu
Na vida que deus me deu
A vontade de gritar bem alto:
O meu amor morreu
Todo o mundo há-de ouvir
Todo o mundo há-de sentir
Tenho a força de mil homens
Para o que há de vir

Flashback instantâneo
Prazer momentâneo
Penso e digo até
Que bate duro
No meu crânio
Toda a dor
Toda a raiva
Todo o ciúme
Toda a luta
Toda a mágoa e pesar
Toda a lágrima enxuga
Odiando como posso
Não posso encher a cabeça
Não há dinheiro
Nem vontade
Ou amor que o mereça
Não vou pensar de novo,
Vou-me pôr novo
Neste dia novo
Estreio um coração novo
Visto-me de branco
Bem alegre no meu luto
Saio para a rua
Mais contente que um puto
Acredita que custou
Mas finalmente passou
No final do dia
Foi só isto que restou

[REFRÃO 4x:]
(Respiro fundo)
E lembro-me da força
(Guardo dentro do meu corpo)
Espero que ela ouça

Todo o amor deste mundo
Perdido num segundo
Todo o riso transformado
Num olhar apagado
Toda a fúria de viver
Afastada do meu ser
Até que um dia acordei
E vi que estava a perder
Toda a força que cresceu
Na vida que deus me deu
A vontade de gritar bem alto:
O meu amor morreu
Todo o mundo há-de ouvir
Todo o mundo há-de sentir
Tenho a força de mil homens
Para o que há de vir
Vai haver um outro alguém
Que me ame e trate bem
Vai haver um outro alguém
Que me ouça também
Vai haver um outro alguém
Que faça valer a pena
Vai haver um outro alguém
Que me cante este poema

3. Re-tratamento

Vou levar-te para casa - tomar conta de ti
Dar-te um bom banho, vestir-te um pijama e…
Fazer-te uma papinha, meter-te na caminha
Ler-te uma historinha e deixar-te bem calminha
Ouve bem: Preciso de alguém do meu lado
Que me dê um bom dia com um sorriso bem rasgado
Amor pela manhã, pela tarde e pelo fim do dia
Mais um pouco quando sonho era o que eu queria
Não é preciso muito, é muito simples na verdade
Só quero amor bom, carinho, solidariedade
Faz-me rir e eu prometo que não te faço chorar
Trata bem de mim e eu bem de ti vou tratar

Olá nina, quero tratar de ti
Dar-te este mundo e o outro tenho tudo aqui
Chega só um pouco perto de mim
Acredita que nunca me senti assim

Trata-me bem – eu juro que suo sangue por ti
Faz a coisa certa como o Spike Lee
Podes usar e abusar tipo brinquedo favorito
Mas tem cuidado, por favor, não o deixes partido…
Dou-te tudo o que puder, tudo o que tiver
O que não tiver tiro aos deuses para a minha mulher!
Roubamos um foguete, vamos dar uma volta até à Lua
Escrevo um livro pelo caminho com a alma toda nua
Procriamos como coelhos e quando nos derem pelos joelhos
Procriamos mais um pouco porque eu adoro fedelhos
Escrevo o teu nome no meu corpo para toda a gente ver
Bem piroso e lamechas, como o amor deve ser…verdadeiro!!!

Olá nina, quero tratar de ti
Dar-te um mundo e o outro tenho tudo aqui
Chega só um pouco perto de mim
Acredita que nunca me senti assim

Gostas de filmes? Podíamos fazer um bem privado…
Eu escrevo, realizo e actuo do teu lado
Podes ser a minha estrela, vou-te dar um bom papel
Pouca palavra, muita acção, acredita que é mel
Nasceste para isto, tá tudo previsto
Por isso insisto e não resisto a dar-te mais um pouco disto
Amor puro, fresco como a brisa do mar
Tenho montes dele guardado, e tá quase a estragar
Envelheço ao teu lado, eu bem gordo tu bem magra
Acabamos com o stock nacional de Viagra
Faz-me rir e eu prometo que não te faço chorar
Trata bem de mim e eu bem de ti vou tratar

Olá nina, chega (aqui)ao pé de mim
Deixa-me dar-te o que tu mereces
Tu és a resposta para as minhas preces
Senta-te aqui vou-te cantar um som
Doce como tu, como um bombom

Olá, nina quero tratar de ti
Dar-te um mundo e o outro tenho tudo aqui
Chega só um pouco perto de mim
Acredita que nunca me senti assim

5. Carrossel (às vezes dá-me para isto)

Andar de carrossel às 6 da manhã pode mudar a tua vida
sem mais nem menos, apanhar-te de forma algo desprevenida,
pôr tudo em perspectiva e apontar aquela tal saida
que sempre esteve lá mas por alguma passou despercebida
é como ouvir o summer madness pela primeira vez
o deslumbramento de apreciar quem se gosta na sua total nudez
o primeiro olhar de um recém-nascido que te tira do sério
um rebelde para lutar contra o império, ou um janado?
Não, agora a sério
tou a enumerar algumas das coisas que me dão vontade de
seguir em frente
num mundo que dá ideia de estar a ficar demasiado deprimente
fica esperto eu sei que te dói se calhar a mim até me dói mais
mas descarrego onde posso não descarrego nos outros nos demais

Belos dias na descontra
O bilhete é só de ida - não há regresso no carrossel

Fim-de-semana e depois do jantar é prato quente para sobremesa
Boy, neste restaurante é à vontade é mesmo em cima da mesa
Dou um time na casa de banho do l mas baza até ao k
Tá multidão à porta mas entramos de socapa
Tamos na hora da comunhão, uma bubble nunca fez mal a ninguem
Meto a hóstia na boca e agradeço a deus por um feeling tão sebem
É justo que possa extravasar da maneira que me der na real gana
Desde que não prejudique terceiros e que não dê nenhuma cana
Tenho uma lágrima no canto do olho como o bonga, ou o bana
As vezes dá-me para isto fico sentimental, merda, que carraspana
Já tou a beijar todos os meus amigos e a dizer que os amo
Toda a gente sorri porque toda a gente está bem, sabes bem que
é assim que eu gramo

Belos dias na descontra
O bilhete é só de ida - não há regresso no carrossel

7. Casa (vem fazer de conta) (com Manel Cruz)

Era tudo quando ela me dizia,
“Benvindo a casa”, numa voz bem calma
Acabado de entrar, pensava como reconfortava a alma
nunca tão poucas palavras tiveram tanto significado
e de repente era assim, do nada, um ser iluminado -
tudo fazia sentido, respirar fazia sentido,
andar fazia sentido, todo o pequeno pormenor em pensamento perdido
era isto que realmente importava,
não qualquer outro tipo de gratificação
Não o quanto se ganhava,
não o bem que dizem de nós não
um novo carro, uma boa poupança,
nem sequer a família, ou a tal aliança - nada…
Apenas duas palavras, um artigo,
formavam a resposta universal
A minha pedra filosofal
Seguia para dentro do nosso pequeno universo
Um pouco disperso - pronto a ser submerso
Naquele mar de temperatura amena que a minha pequena
abria para mim sempre tranquila e serena, ena…

Tento ter a força para levar o que é meu
Sei que às vezes vai também um pouco de nós
Devo concordar que às vezes falta-nos a razão
Mas nego que há razões para nos sentirmos tão sós
Vem fazer de conta eu acredito em ti
Estar contigo é estar com o que julgas melhor
Nunca vamos ter o amor a rir para nós
Quando queremos nós ter um sorriso maior

Bem-vindo a casa dizia quando saia de dentro dela
O bonito paradoxo inventado por uma dama bela
Em dias que o tempo parou, gravou dançou,
não tou capaz de ir atrás, mas vou
porque sou trapalhão, perdi a chave e já nem sei bem o caminho
nestes dias difusos em que ando sozinho e definho
à procura de uma casa nova do caixão até a cova
o percurso é duro em toda a linha, sempre à prova

Por isso escrevo na esperança que ela ouça o meu pedido
de desculpas
de Socorro
de abrigo
não consigo
ver uma razão para continuar a viver sem a felicidade do meu lar
da minha casa, doce casa, já ouviram falar?
É o refúgio de uma mulher que deus ousou criar
Com o simples e unico propósito de me abrigar
Não vejo a hora de voltar lá para dentro, faz frio cá for a
Faz tanto frio cá fora que eu já não vejo a hora…

8. GTA

Eu jogo tanto GTA que já me podiam chamar Tommy
Bandido tipo Clyde só me faltava a Bonnie
Vicio na ps pa não me render à telemetria
Já nem causa irritação passou para apatia
Vida privada tornada pública, a nova pornografia
Disponível em horário nobre todo o santo dia
Em tempos de competição feroz, a tv é o algoz
Que mais cabeças corta, o nível é atroz
objectivo é ser famoso não é ser bom naquilo que se faz
ninguém quer ser genial ninguém quer ser capaz
não é preciso ter talento, apenas um palmo de cara
quando há castings para bandas e ninguém sequer repára

dá um jogo tipo tommy
dá-me um jogo tipo
dá-me um jogo tipo tommy
e eu flipo
dá-me um jogo tipo tommy
dá-me um jogo tipo
dá-me um jogo tipo tommy
ou eu flipo!!!

Pára para pensar em quem se decide idolatrar
gigantes com pés de barro, bombas-relógio prestes a estourar
beldades subdotadas começam na novela
e depois de um mês de trabalho ou caralho tão na grande tela
recuso-me a entrar no esquema desculpem lá o mau jeito
de mim não levam chavo muito menos o meu respeito
chama-lhe o que quiseres, chama-lhe preconceito
eu chamo-lhe justiça e direito a preceito
mais um ano e outra vez repetimos os mesmos erros
os nossos sentidos tendem a ficar cada vez mais perros
não há informação, há dramatização
lágrima (fácil) no olho, dinheiro (limpo) na mão e
indução da maralha em melodrama de cordel
quem comeu quem bebeu quem fodeu mais papel?
É assim que se quer toda noticia de abertura
Assim se cria e destrói, tudo sol de pouca dura
não confio num pintelho do que me entra pelos olhos
já não há pão, só há circo, e esse há aos molhos
nem sequer é estranho chamar big brother a um programa
nesta estranha sociedade que adora tar na lama
ironia do destino, espécie de justiça poética na mentalidade do
povo que se quer anoréxica

dá um jogo tipo tommy
dá-me um jogo tipo
dá-me um jogo tipo tommy
e eu flipo
dá-me um jogo tipo tommy
dá-me um jogo tipo
dá-me um jogo tipo tommy
ou eu flipo!!!

10. Despertar (o flow que sai)

Hei boy, sente o flow que sai
Lírico selecta – é hoje que a casa cai
Hei boy, hei girl, sente só o flow
Isto é mais forte do que eu, tá fora do meu controle
Doce como mel contagia-te facilmente

Este é o meu som – ragga para sempre
Já sabes como é – puto Vi em acção
Há quem diga que sou gerente mas nisto sou mais do que patrão
Mando, posso, faço e desfaço
A doninha está de volta rija como o aço
Sente o puro flow poderoso como um beat
Tás na boa podes vir, não precisas de convite
Quero ver-te curtir, já não podes parar
Sei que estás a sentir, quero ver-te suar

Sente o flow - quero ver-te suar
Sente o flow - quero ver-te dançar
Sente o flow – mano tá a despertar

Vem sentir, vem curtir, já não podes parar
Desperta – é dia de festa
Chega de conversa, já bateu na minha testa 2X
Hoje quero sentir todo o people na minha vibe
Good people don’t wanna fight
Faz amor com o mundo até cair 2X

Sente o flow - quero ver-te suar
Sente o flow - quero ver-te dançar
Sente o flow – mano tá a despertar

Vem sentir, vem curtir, já não podes parar
Hei boy, sente só o beat
O people tá a curtir e não há quem não grite 2 X
Todo o mundo tá unido, a boda é mesmo aqui
Não há raça não há credo, para mim, para ti
Mexe-me esse corpo começa por detrás
Liberta o preconceito e sente a minha paz
Dança como se ninguém estivesse a ver
Não penses muito nisso, não tem que saber
Sem medo, mostra o que tens dentro de ti
Acredita que é o mesmo que toda a gente aqui
Se o teu homem não gostar, tanto pior
Andas enganada e mereces melhor
Curte, sente, liberta a mente

Isto é do tipo dança do ventre

12. Baile (aquele beat)

Aquele beat que gostavas de fazer
(Mas) não tens o engenho para o conceber
Aquele flow que escorrega melhor que vaselina
Que deixa molhada a menina da menina
Aquele som que prova que não é acidente
Ter o dom de mover muito boa gente
Aquela letra que vais odiar -
Fala uma verdade dura de aceitar
Aqueles manos que partem a louça toda
Não aguentas mas que se foda
Manda vir mais um bocado
Vê o meu ar de ralado
Pára escuta olha sente
Este beat não te mente
Sabes bem que toda a gente
Sabe bem que tá à frente

Neste baile de máscaras onde toda a a gente dança
E homem que baila por gosto às vezes perde a esperança
Agarro-me ao que posso, quando posso agarrar
Faço o meu possível para me tentar orientar
Dito as minhas regras, e deixo o fato no armário
Podes crer, a mim não me tiram pinta de otário
Danço quando quero e controlo bem a batida
Porque a vida neste tom às vezes pode ser fodida…

Aquela banda que soma e insiste
Leva na cabeça mas nunca desiste
Vendeu uma beca por isso não curtiste
Já bateu na testa e tu não sentiste
Aquele estilo que não dá para definir
Faz confusão e por isso tens que cuspir
Não há truque na manga
Não há clique nem capanga
Não há conversa de chacha,
ou música da tanga
não há video fatela
com esta e com aquela
coro de bandido
que nunca viu uma cela
nem sequer estás perto
puto fica esperto
és um livro aberto
sabes que tou certo
Pára escuta olha sente
Este beat não te mente
Sabes bem que toda a gente
Sabe bem que tá à frente

Neste baile de máscaras onde toda a a gente dança
E homem que baila por gosto às vezes perde a esperança
Agarro-me ao que posso, quando posso agarrar
Faço o meu possível para me tentar orientar
Dito as minhas regras, e deixo o fato no armário
Podes crer, a mim não me tiram pinta de otário
Danço quando quero e controlo bem a batida
Porque a vida neste tom às vezes pode ser fodida…

14. Loja (Canção do Caroxo)

Chibos interesseiros. Intrujas manhosos.
Bacanos desorientados à espera d’ algo, sem saber o quê ao
certo,
mas a com a certeza de que o saberão quando a cena finalmente
surgir.
Miúdas que quase que fazem uma mamada em troca de um algodão.
Quase que fazem, o caralho, fazem mesmo.
Caras e corpos de 40 anos que na verdade viveram apenas metade desse tempo.
Barracas impregnadas com aquele ar nauseabundo.
Muletas ligaduras hematomas sangue coagulado.
O cheiro, não se consegue afastar o cheiro.
Surgem vozes de todo o lado:

-“Boa branca”, “boa castanha”, “Serenal”, “Paxilfar”,
“amoníaco”, “prata”, “bombas” “sai do meio da rua e encosta à parede!”,
“Filha da puta do carocho só faz é merda”!!!
Vai fechar a loja mas o puto não comprou nada,
Não comprou nada,
Não comprou…

São duas da manhã mas a loja tá aberta, como sempre.
Seja natal ou fim-do-ano, o negócio não pode parar,
não consegue parar, e por isso, logicamente não vai parar.
(Disponível num centro perto de si)
Dinheiro puxa dinheiro como vício puxa vício…
Enquanto houver gente a comprar, vai haver gente a vender,
enquanto houver gente a vender, vai haver gente a comprar…
O bicho já apanhou mais de metade dos consumidores,
mas sabes bem que a fruta dos contentores dá moca e tira as dores
faz voar sem sair do chão e afinal de contas quem é que não
gosta da sensação da…

-“Boa branca”, “boa castanha”, “Serenal”, “Paxilfar”,
“amoníaco”, “prata”, “bombas” “sai do meio da rua e encosta à parede!”,
“Filha da puta do carocho só faz é merda”!!!
Vai fechar a loja mas o puto não comprou nada,
Não comprou nada,
Não comprou…

16. Bicho

É dificil viver com isto no meio de nós
Porque quer queira ou não queira
Às vezes falta-me a voz
Para dizer, tá tudo bem, mano - já passou
Quando nós os dois sabemos que ainda mal começou
Como é que deixámos isto acontecer?
Sabíamos tão bem no que te estavas a meter
Será que sabes o momento, o minuto, a hora?
O dia em que o mundo ruiu de dentro para fora
Dá vontade de ir atrás, se ao menos fosse capaz
de apanhar e matar esse diabo voraz
De uma vez por todas dar alguma paz
A quem não a conhece
Nunca a teve e tanto a merece…

Eu gostava de ser bicho para comer o bicho que te come…
Eu só gostava de ser bicho para comer o bicho que te come
Eu gostava de ser bicho para comer o bicho que te come
Eu só gostava de ser bicho para comer o bicho que te come

17. Joaninha (bem vinda!)

13 de Novembro, 4 da tarde, faz frio lá fora
o ano é 2002 e acho que já te disse a hora
o lugar é Lisboa ao pé do parque das nações
o mundo é teu, já te explico as razões e senões
deste lugar onde vieste parar sem saber como
sê bem-vinda ao jardim, eu serei o teu mordomo
eu sou o gajo do chapéu azul-bébé como tu
no meio da confusão que luta pelo teu olhar nu
não nos leves a mal mas deixaste-nos perplexos
tens vinte minutos de vida e fazes estragos complexos
com essa língua de fora e os olhitos bem rasgados
hás-de dar dores de cabeça até aos mais preparados
como o teu pai que tá histérico, vestido como um doutor
esse a quem agora tiraste toda e qualquer dor
há de stressar contigo vezes sem conta, acredita
o amor é um gajo estranho, às vezes até irrita
por isso vai-te habituando a ter muita paciência
somos todos complicados e é preciso ter experiência
para atinar neste planeta a quem chamaram Terra
sem darmos bem por isso aí vem mais uma guerra
Vivemos na tuga, um país que até é bem tranqüilo
Se me dessem a escolher não dava um vacilo
Não é perfeito nem nada que se pareça
Ainda depende de nós para que muito aconteça
O que acaba por ser porreiro porque te dá motivação
Não temos nada garantido na palma da mão
Há mesmo sítios onde a esperança quase já não existe
O que vale é que há sempre alguém que resiste
E insiste em fazer a diferença para melhor
Dá tudo por tudo com muito sangue e suor
Com tanta pressa que tiveste para cá chegar
Só posso acreditar que tenhas muito para nos dar
Pareces-me rebelde e é mesmo isso que se quer
És joaninha de nome mas já vejo uma mulher
Venha o que vier o amor é incondicional
Podes contar comigo quando tudo te parecer mal
É natural, quer dizer que não andas a dormir
Não há nada pior nesta vida do que não sentir
Queria dizer-te tanta coisa, mas ainda nem me vês
E o tempo há-de trazer todos os teus porquês
Há bocado fiz umas contas e senti-me mal
Quando tiveres dezoito eu vou ter quarenta e tal
Tenho medo de não perceber o teu mundo nessa altura
Mas o feeling que sinto não é sol de pouca dura
E por muito cota e datado que te possa parecer
Fui e sou mais janado do que gostava de ser
Por isso tá à vontade, manda vir que eu aguento
No mínimo posso tar se calhar um pouco lento

18. Re-definições (com Anabela Mota Robeiro)

Re-definição de estruturas, formas e conceitos
Na procura incessante de movimentos perfeitos
Neste baile de máscaras onde toda a gente dança
E homem que baila por gosto às vezes perde a esperança…
Mas há a voz de Gil-Scott
a música de Jobim
a Força de mil homens bem dentro de mim
Agarro-me a ela – a tudo o que encerra
Tenho o Verbo comigo
E uma alma que berra:
Novas estradas!!! E força para as abrir
Novos dias… e calma para os sentir.

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